segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Novos títulos para saborear em nossa biblioteca gastronômica.

(Alguns títulos da minha biblioteca - Foto: Meg Mamede)

A dica do nosso blogue hoje não é nenhum segredo culinário ou receita fantástica. Trata-se de uma recomendação básica e fundamental para tudo nesta vida, nos referimos à leitura. Ela pode ser prazerosa e libertadora, formativa e informativa, séria e divertida, seja qual seja o tema de sua preferência mergulhe no mundo dos livros e alimente sua alma. Nosso foco no blogue é a alimentação, aqui temos a sessão "Livros para saborear" além de alguns textos com comentários sobres os títulos que fazem parte da nossa biblioteca gastronômica e que recomendamos e podem ser acessados através do marcador (tag) Livros na lateral direita. 

Nos últimos dias ganhei alguns livros de presente do meu marido e comprei outros títulos, tenho o hábito de ler vários livros ao mesmo tempo, sei lá se é coisa de gente hiperativa (acho que não é o meu caso, pois os hiperativos têm dificuldade de organização e eu sou muito organizada com tudo... beirando a chatice às vezes) ou apenas uma mania, de qualquer modo estou lendo alguns deles no momento. Me emocionando com a Paola Carrosella em seu primeiro livro "Todas as Sextas", rindo com o tresloucado do Anthony Bourdain em "Cozinha Confidencial" livro lançado há quinze anos no Brasil pela Cia da Letras e relançado agora em 2016 por ela também através do selo Companhia de Mesa, andava esgotado e ontem caiu nas minhas mãos durante um delicioso café numa livraria aqui de Curitiba, e finalmente, me inspirando com Carlo Petrini em "Comida e Liberdade", título essencial para quem já leu "Slow Food, princípios da nova gastronomia" e quer entender um pouco mais do movimento criado há quase três décadas na Itália e que ganhou o mundo.

Bem, além dos títulos já mencionados, tem a bíblia das "PANC's (Plantas Alimentícias não Convencionais) do Brasil", um dicionário ilustrado para ser consultado sempre e outros livros sobre os quais ainda não comentei nada por aqui, são eles:


"Banquete: uma história ilustrada da culinária, dos costumes e da fartura à mesa" do historiador inglês Roy Strong, lançado pela Jorge Zahar Editor em 2004. "O que acontece quando nos reunimos para jantar? Mais do que apenas comer, acredita o historiador Roy Strong, que nesse Banquete analisa cinco milênios de refeições cerimoniais - dos antigos babilônios até os dias atuais -, mostrando como os costumes que cercam os grandes jantares espelham de maneira privilegiada a estrutura social. Tendo como foco aquela que durante séculos foi a principal refeição do dia, o jantar, o autor examina, apoiado em narrativas literárias e farto material iconográfico, o desenvolvimento das maneiras à mesa. O tema central de Banquete é a conexão entre o que acontece às refeições e a estrutura da sociedade, mostrando como o ritual que cerca a alimentação é um teatro no qual se representam de maneira clara a estratificação social e as relações de poder. Ao mesmo tempo erudito e cheio de curiosidades, esse livro - ilustrado com gravuras e quadros consagrados - reúne todos os ingredientes que contribuem para o fenômeno das refeições cerimoniais e recupera detalhes que ganham significado e desvelam um dos mecanismos sociais mais eficazes da hierarquização em classes no Ocidente." (Fonte: Relativa)

"Cozinhando sem desperdício: receitas sustentáveis para um gourmet consciente" da italiana Lisa Casali (ativista ambiental com alguns programas na TV e contribuições para jornais, revistas e sites italianos) lançado no Brasil pela Editora Alaúde em 2013 é um livro que está repleto de receitas práticas que ensina ao leitor como aproveitar ao máximo os ingredientes do dia a dia, economizando no bolso e esbanjando saúde e vitalidade. Massas e risotos, bolos e tortas, sucos nutritivos e sobremesas deliciosas: neste livro, é possível preparar um cardápio completo e saboroso com criatividade e consciência. Em seu livro Lisa ensina 130 quitutes, de entradas a sobremesas. Além de ativista do lixo quase zero com o máximo de sabor, a chef busca incansavelmente táticas para diminuir o impacto da cozinha sobre o meio ambiente. Ela defende, por exemplo, reutilizar a água do cozimento do macarrão para engrossar sopas e cremes. (Fonte: Revista Claudia).


"Histórias da Mesa" de Massimo Montanari publicado pela Estação Liberdade em 2016A mais antiga referência que se tem sobre os queijos de aspecto mofado que se tornariam parte indissociável da alta gastronomia francesa remete a ninguém menos que Carlos Magno. No início do século IX, uma visita inesperada do imperador a um bispo rendeu ao anfitrião uma dificuldade: o que servir ao ilustríssimo soberano? Um queijo “branco e gordo” era tudo o que havia, e o imperador aceitou – mas não sem antes, com uma faca, cortar os pedaços que lhe pareciam asquerosos. O prelado então lhe segredou ao ouvido que não o fizesse, pois aquelas seriam as melhores partes. Deveras: Carlos Magno acatou a sugestão; ele, que nunca provara antes daquele tipo de iguaria, achou que nunca um queijo lhe descera tão saboroso. São causos desse tipo a matéria-prima destas Histórias da mesa, narrados pelo estudioso das tradições alimentares da humanidade, o italiano Massimo Montanari. As peculiares historietas envolvendo desde personagens históricos como Carlos Magno, até figuras ficcionais como o cavaleiro Ivã, evidenciam uma premissa muito elementar: que a comida não serve meramente para saciar a fome. Seu escopo de significados é amplo, materializando-se em formas de expressar tradições, culturas, identidades. Transformar o ato de comer em ocasiões de deleite sempre afetou a economia, a política, os paradigmas intelectuais e religiosos das sociedades ao longo dos tempos. São contos gastronômicos ambientados entre os séculos centrais da Idade Média até o auge da Renascença, com alguns prolongamentos até o século XVII. Descobriremos, por exemplo, que na Roma de 1338, uma temporada especialmente chuvosa causou uma esterilidade geral da terra – e, por consequência, uma onda de fome sem precedentes sobre a população. Assim, frente à raridade do trigo e o pão impossível, as pessoas tiveram de inventar uma cozinha de emergência, em que um item popular do menu era “o cardo-marítimo cozido com menta” – combinação aparentemente só menos repugnante do que a “iguaria” que o povo de Gália, cinco séculos antes, testara também em tempos de vacas magras: pão à base de terra e farinha. Já na Veneza quinhentista, um banquete de casamento podia ser interrompido por fiscais do governo, já que a lei local impedia que numa mesma refeição fossem servidos carne e peixe juntos – e que os recém-casados não esperassem vista grossa para tamanha soberba alimentar. Se estas Histórias da mesa são verdadeiras ou puro folclore, não importa: o tempero especial de Massimo Montanari as torna terrivelmente apetitosas. (Fonte: Estação Liberdade).


E por fim, o chef que fez o maior barulho e lucrou muito com isso, afinal o que poderia ser um "tiro no pé" acabou se transformando na "galinha dos ovos de ouro", publicação que deu ao então experiente chef estadunidense Anthony Bourdain o status de estrela fora da cozinha. Em "Cozinha Confidencial" relançado pela Companhia de Mesa em 2016 o 'Chef' de um dos bistrôs mais badalados de Manhattan, o Les Halles, Anthony Bourdain, que é também romancista, fez o impensável - com doses iguais de perspicácia, maldade e humor, contou todos os segredos da profissão, dos mais sórdidos aos mais divertidos, junto com as falcatruas e safadezas do negócio. Mas não só isso - dono de uma interessantíssima trajetória pessoal, é com prazer indisfarçável que ele aproveita para fazer também um pouco de escândalo autobiográfico. Enquanto expõe as entranhas dos restaurantes - de lavagem de dinheiro ao uso 'criativo' de ingredientes com data de vencimento no limite -, Bourdain vai dando conselhos úteis.

Como veem, alimentar a alma e o intelecto com uma boa leitura pode ser tão prazeroso quanto uma boa garfada. Experimente! 



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