terça-feira, 27 de setembro de 2016

São Cosme e Damião, os doces que fizeram parte da minha infância.

(Bolo feito pela Party Cakes: Confeitaria Artística para festa de um artista famoso)

Nasci no seio de uma família católica, mas em setembro eram os terreiros de candomblé do meu bairro que eu mais frequentava. Motivo? Criança curiosa e ávida por doces, era na Festa de Cosme e Damião, santos católicos e/ou divindades africanas para os seguidores do candomblé, umbanda, etc., que esses gêmeos árabes ou Ibejis propiciavam às crianças do bairro, como acontece até hoje em algumas cidades do Brasil, um setembro colorido e muito doce.

(Doces distribuídos nas festas de Cosme e Damião - Fotos: Google Imagem)

Há diferenças entre as datas em que se comemoram o dia de Cosme e Damião no Brasil por conta da religião, variando entre 26 de setembro para os católicos romanos e 27 de setembro para os que cultuam os orixás africanos, para os católicos ortodoxos eles são celebrados em novembro, mas isso está ligado ao calendário diferente aplicado pelos católicos do oriente para todas as datas. De qualquer maneira minha postagem não é para falar da fé, de milagres, da representatividade ou do sincretismo de Cosme e Damião, até porque num país pluricultural como nosso não dá para defender verdades absolutas, dá sim para escolher algo e praticá-lo seja nesta ou naquela fé, desde que com humanidade e amor ao próximo, e... quando uma criança estranha ao grupo adentra ao terreiro e é recebida por adultos com alegria, festa e doces, isso é o maior exemplo do que estou querendo dizer.

Ao longo do mês de setembro aconteciam muitas festas para Cosme e Damião no meu bairro e na última semana do mês eu aparecia em casa quase todos os dias, assim como meus amigos, carregada de doces, bolos e guloseimas que criança alguma declinaria. Mas a festa em sua matriz africana tem pratos que os adultos adoram e que são ofertados aos santos em dias de festa (as chamadas comidas de festas, são aquelas preparadas especialmente para a data, como as do Dias do Mortos no México ou o afogado da Festa do Divino de Mogi das Cruzes, SP). São receitas tradicionais da Bahia onde os cultos africanos têm mais força no país, mas que já ganharam o paladar dos mais céticos. Entre eles destaco: Caruru (este que segundo consta seria a comida preferida dos gêmeos), Vatapá, Xinxim de Galinha e Acarajé.

Nunca preparei algum desses pratos, mas lendo algumas matérias e consultando alguns livros achei interessante postar a receita deles aqui para homenagear os santos do Dia.

Caruru

(Caruru - Foto: Tribuna da Bahia)
Ingredientes:

1 cebola grande ralada
5 colheres (sopa) de azeite de oliva
1,5 kg de quiabo
3 colheres (sopa) de limão
1/4 de xícara de (chá) de castanhas de caju assadas e moídas
¼ de xícara de (chá) de amendoins torrados e moídos
250 g de camarões secos tratados
1 xícara de chá de azeite de dendê
Sal a gosto

Modo de preparo:

Refogue a cebola no azeite e junte os quiabos cortados bem miudinhos, regue com o suco de limão e deixe cozinhar por alguns minutos. Acrescente as castanhas, os amendoins e os camarões limpos previamente batidos no liquidificador e tempere com o sal, em seguida junte 1,5 litro de água e deixe cozinhar durante 30 minutos, mexendo sempre, até que as sementes do quiabo estejam arroxeadas. Agregue o azeite de dendê, e cozinhe por mais 10 minutos, corrija o sal e decore com alguns camarões defumados inteiros limpos para servir.

Vatapá à Elíbia Portela

(Vatapá - Foto: Tribuna da Bahia)
Ingredientes:

3 litros de caldo de peixe
10 a 12 pãezinhos de sal
1 coco grande batido no liquidificador com 3 xícaras de chá de água morna e, em seguida, espremido num pano de prato úmido
150 ml de azeite de dendê
100g de camarões secos tratados (limpos)
½ xícara de chá de castanha de caju e amendoins torrados e moídos
1 colher de sopa de camarões secos moídos
1 colher de café de gengibre ralada e a carne retirada do peixe desfiada

Modo de preparo:

Rasgue os pãezinhos em pedaços e deixe-os de molho no leite de coco por alguns minutos. Coloque no copo do liquidificador, juntamente com as castanhas, amendoins, farinha de camarão seco e gengibre, bata por alguns minutos e transfira para uma panela. Agregue o caldo do peixe (aos poucos), carne do peixe desfiada, camarões secos tratados, e o dendê. Leve ao fogo, sempre mexendo até formar um creme consistente que ferva por 5 minutos. Se engrossar muito, dilua colocando mais caldo de peixe, caso contrário, junte mais pão batido com caldo de peixe, está pronto.

Xinxim de Galinha

(Xinxim de Galinha - Foto: Tribuna da Bahia)
Ingredientes:

1 frango grande cortado em pedaços (pequenos)
150 ml de azeite de dendê
200gr camarão seco limpo (separando em 2 partes)
2 cebolas grandes, coentro, cebolinha verde
2 dentes de alho amassados
2 limões
1 pitada de pimenta do reino
Sal a gosto

Modo de preparo:

Limpe bem o frango e corte-o em pedaços, deixando descansar no suco de limão com pimenta do reino e o alho amassados. Em seguida bata no liquidificador uma cebola, o tomate, o coentro, a cebolinha e uma das partes do camarão. Recheio do frango: Coloque o azeite de dendê em uma panela a aqueça em fogo médio, acrescentando a outra parte do camarão e a outra cebola em rodelas, deixe refogar por dois minutos. Depois, junte o frango e tampe a panela por 5 minutos, acrescente a mistura feita no liquidificador anteriormente, tampe a panela e deixe cozinhar por 30 minutos, mexendo sempre até alcançar o cozimento. Sugestões para acompanhamento: Arroz Branco e suco de frutas.

Acarajé

(Acarajé - Foto: Tribuna da Bahia)
Ingredientes:

½ kg de feijão fradinho (já quebrado)
3 litros de água (deixe de molho por 2h)
1 cebola tamanho grande picada
2 dentes de alho
Sal a gosto
Azeite de dendê para fritar

Modo de preparo:

Coloque o feijão fradinho de molho em água fria, durante 2 horas, quando o feijão começar a inchar, lave com água fria, até soltar toda a casca. Em seguida moa o feijão sem casca num moinho especial, ou em processador até formar uma massa branca e espessa, à qual acrescenta-se a cebola, alho e sal, que antes foram passados no liquidificador. Trabalhe bem essa massa, com a ajuda de uma espátula, até que fique fofa. Coloque o azeite de dendê no fogo, em um tacho ou frigideira funda, e quando começar a ferver acrescente pequenas porções de massa retiradas com a colher. Só vire quando um dos lados estiver bem dourado, deixando acontecer o mesmo do outro lado. Dicas: Depois de frito, o acarajé fica com uma tonalidade avermelhada por fora e branca por dentro. *Na comida para Santo, não se coloca o alho, o bolinho deve ser servido com molho de pimenta, molho de camarão seco, e vatapá. (Receitas extraídas da Tribuna da Bahia)

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