terça-feira, 13 de setembro de 2016

Novos títulos para nossa biblioteca gastronômica.


Nossa biblioteca acaba de receber mais dois títulos interessantes. O que eles têm em comum? Ambos não são livros de receitas somente, o primeiro conta com muito respeito e amor um pouco da história do que hoje é o Líbano através das receitas de uma família original do norte daquele país, apesar de muitos dos pratos serem difundidos mundialmente e seus preparos serem conhecidos em muitas partes do oriente, as escritoras, cozinheiras dedicadas e sabedouras de sua história ancestral resgatam receitas preparadas há mil anos atrás ou mais, pratos do período em que o Oriente Médio obteve grande expansão e desenvolvimento e o que hoje é conhecido por Líbano teria sido a Canãa citada na bíblia.

O livro “Receitas Árabes Tradicionais” do Norte Líbano de  Mahassen Hanna Yazbeh e Salma Daud Abrahão, organizado por Talib Abrahão Chaim, foi lançado por primeira vez no ano de 1996, depois em 2005 e esta versão revista e ampliada em 2014 pela editora Revan.

À partir da metade do século XIX, o Brasil começou a receber levas de imigrantes árabes, vindos principalmente do Líbano. Partiram em busca de uma terra nova, fugindo de um país devastado por guerras e por uma brutal ocupação estrangeira. Na sua grande maioria camponeses, traziam pouca coisa em sua bagagem. Pouca roupa, poucos pertences, pouco dinheiro. No entanto, traziam dentro de si uma riqueza imensa: eram herdeiros de uma cultura milenar, remanescentes de um povo que sobreviveu durante quatro mil anos, e que durante grande parte desse tempo representou o que havia de mais avançado nas artes, na filosofia e na medicina da época.

Este livro é a tentativa de preservar um pouco dessa cultura. As receitas que o compõem, hoje está provado por pesquisas históricas, são antiquíssimas. É também um testemunho de gratidão que todos os que foram criados à luz de duas culturas compreenderão.

Preservar as autênticas tradições culinárias de um povo, mais que um ato de reverência, é um ato de profundo respeito. Filhas de camponeses, nascidas na pequena aldeia de Gilbrail, na região montanhosa de Akkar, no norte do Líbano, Salma e sua filha Rada, cedo emigraram para o Brasil. Aqui transformaram o pequeno espaço que lhes cabia em extensão de terra de origem, a primeira em Uberlândia e a segunda em Cajuru, interior de São Paulo. Dentro do âmbito familiar tornaram-se famosas pela cozinha refinada e generosa. Nas suas mãos a arte culinária se transforma em elo de ligação com o passado longínquo e sempre presente.


Já em “Histórias da Gastronomia Brasileira” dos banquetes de Cururupeba ao Alex Atala de Ricardo Amaral e  Robert Haulfoun lançado este ano pela Editora Rara Cultural, os autores abordam as histórias curiosas da gastronomia brasileira através de suas personagens, receitas e lugares. São relatos engraçados e às vezes pitorescos dos bastidores da nossa tão pungente e pluricultural gastronomia.

O livro é um passeio delicioso com os personagens que formam os pilares da nossa cozinha, em textos repletos de casos e curiosidades. Afinal, a mesa é lugar sagrado não só pelos sabores, texturas e prazeres que passam por ali, mas também pelas histórias que embalam e, principalmente, temperam tudo isso. Ao desenvolver esse livro, a ideia é trazer o leitor para participar dessa mesa. Levar conteúdo condimentado para jogar pimenta no assunto do momento e desvendar aspectos da gastronomia que vão muito além dos pratos. Para onde vamos e, principalmente, de onde viemos? Algumas dessas respostas estão aqui, contadas nas histórias divertidas de grandes personagens. Desde o cacique que adorava comer e promovia banquetes com a essência de muita coisa que consumimos hoje até a descoberta de um Brasil amazônico que o Alex Atala, influenciado pela obra do grande Paulo Martins, mostrou para o seu país e para o mundo todo. No caminho, passamos por D. João VI, pela Princesa Isabel e um dos seus filhos mimados, pelo cozinheiro fantasma que fez um dos primeiros compêndios do que era produzido nas nossas cozinhas, pelos criadores de clássicos como o picadinho carioca, a feijoada completa. E seguimos num panelão de referências, casos, nomes e ícones que influenciaram tanta gente.



Bom apetite e boa leitura!

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