sexta-feira, 15 de abril de 2016

Vamos ver um filme? Não esqueça a pipoca.


Cada dia me animo mais com o rumo da minha pesquisa no segmento de Cinema e Alimentação. Tenho encontrado filmes muito interessantes produzidos nos quatro cantos do planeta. 

Na Ásia há uma infinidade de séries que têm na culinária o fio condutor das tramas, acredito que isso seja reflexo da relação que os povos orientais têm com a comida. 

Da Europa percebo um movimento de resgate da tradição em contraposição à tecnologia e modernidade que a cozinha alcançou nos últimos anos. 

Dos E.U.A. nos chegam produções que mostram uma onda de conscientização em relação à exaustão das coisas frente ao consumo exacerbado, da destruição da natureza ocasionada pelo rápido desenvolvimento, passando pelas reais necessidades do ser humano na garantia de sobrevivência frente a terrivéis mudanças ambientais e climáticas que estão diretamente ligadas ao modelo de negócios adotado pelo país. 

Já no Brasil, começam a surgir trabalhos que dão a conhecer a tradição e a história dos modos de preparo de alimentos e receitas, bem como os saberes de cozinheiros, mestres queijeiros e cervejeiros, viticultores e de outros profissionais envolvidos na cadeia produtiva, além disso o cinema de denúncia vem prestando um serviço a sociedade trazendo à tona temas como a produção de transgênicos, o uso de agrotóxico e pesticidas, a obesidade infantil e outros assuntos indigestos e fundamentais para o melhor entendimento dos processos necessários para que a comida chegue ao nosso prato.

Mas nem tudo é reflexão, há opções divertidas para quem quer curtir uma tarde de chuva e um pacote de pipoca sem pressa ou precoupação. É só escolher o filme e aproveitar!



“Three Stars” documentário de Lutz Hachmeister (Alemanha, 2010). Concentrando-se em dez chefs 3 Estrelas Michelin, o filme retrata o drama da vida quotidiana em restaurantes gourmet e inclui entrevistas exclusivas e behind-the-scenes com acesso a alguns dos chefs mais talentosos do mundo. Como eles trabalham em seus laboratórios gastronômicos, a caça de ingredientes requintados em mercados locais, a coleta de plantas comestíveis raras, etc, revelando o negócio de cozinhar no mais alto nível e destacando as várias rotinas da cozinha e filosofias culinárias de chefs como Jean-Georges Vongerichten, Yannick Alléno e Olivier Roellinger.



“Recipe for love” filme de Ron Oliver produzido para TV pelo marca Hallmark Chanel (que produziu “A taste of romance” também), filmes produzidos e exibidos nos EUA em canal com programação voltada para família. “Recipe for Love” conta a história Lauren que sempre gostou de cozinhar e é uma perfeccionista na cozinha e em seu trabalho numa revista de comida e entretenimento. Ela sonha poder pagar um curso de culinária em Paris e então surge a oportunidade de um dinheiro extra escrevendo, como ghostwrite, o livro de receitas de Dexter, um chef famoso e complicado. Ela aceita o desafio e então começam os problemas já que os dois não conseguem pensar igual quando o assunto é cozinhar e a rivalidade e competição entre eles pode comprometer a finalização do livro. Mas, no meio do caminho tudo muda e as coisas parecem começar a dar certo, entre uma receita e outra surge o romance e o que era para ser só um livro torna-se uma paixão, mudando o rumo da história de ambos. 



“Kitchen Confidential” (EUA,2005-2006) baseado no livro autobiográfico do famoso chef Anthony Bourdain é uma série do gênero comédia em 13 episódios criada por Darren Star e David Hemingson para o canal Fox, onde o chef é interpretado por Bradley Cooper (série que deve ter servido de oficina para o papel que ator interpreta em “Pegando Fogo” original “Burnt” - EUA, 2015). A série expõe os segredos do negócio de restaurante através da história de um chef talentoso e cenas da Haute Cuisine. O jovem chef Jack Bourdain celebrado por suas habilidade culinárias se vê em baixa depois de anos de trabalho em um restaurante sem classe. Mas a oportunidade bate a sua porta e ele terá a chance de liderar uma brigada frente à cozinha de um grande restaurante em Nova York, porém há um pequeno problema: Jack deve preparar uma refeição para 300 pessoas em apenas 48 horas ... e há ainda mais um problema: o crítico gastronômico do The New York Times pode estar no restaurante naquela noite.



“Drill Baby Drill” documentário de Lech Kowalski (Polônia, 2013) mostra quando os moradores que vivem no extremo leste da Polônia, perto da fronteira ucraniana descobrem que a Chevron pretende produzir gás de xisto bem no meio deles, em uma área agrícola ecologicamente pura chamada de "os pulmões da Polônia." O cineasta americano de origem polonesa Lech Kowalski documenta a primeira rebelião de agricultores contra a quarta maior empresa do mundo no ramo de energia. Ele tece ahistória de uma luta improvável em torno de acontecimentos que têm lugar na distante Pensilvânia e na "Arábia Saudita" pela mineração de gás de xisto. É tarde demais para parar as companhias de energia na Pensilvânia, mas pode cinquenta famílias polonesas vencer a Chevron em sua pequena aldeia? O que acontece é uma surpresa para todos. O filme levanta questões importantes sobre a sobrevivência da democracia local em uma era de poder corporativo globalizado. O filme mostra também o conflito entre a nossa necessidade de encontrar novas fontes de energia e nossa obrigação de proteger nossa terra e água.


“Lonbraz Kann” cujo titulo em inglês é “Sugarcane Shadows” de David Constantin (Ilhas Mauricio/ França, 2014) mostra o fim de um ciclo. Marco, Bissoon e seus amigos passaram suas vidas trabalhando para uma fábrica de açúcar que está fechando já que a cana de açúcar não é mais rentável. No local da fábrica moradias de luxo serão construídas, campos de golfe e parques infantis para turistas ricos, tornando a área proibida para a classe trabalhadora. Como o mundo parece desmoronar ao redor dos personagens, alguns lutam para encontrar seu lugar em novos e estranhos ambientes, enquanto outros decidem deixar o país. Para Bissoon, o fechamento da fábrica traz frustração, vazio e um mal-estar neo-colonial. Dando continuidade a seu trabalho na tentativa de colocar Ilhas Maurício no mapa cinematográfico, David Constantin conta a história de um movimento da tradição à modernidade. Ao fazê-lo, ele oferece uma vista diferente da habitual vista de cartão postal do paraíso que é as Ilhas Mauricio, retratando um mundo diferente da imagem perfeita que imaginamos.  



“Doeville” é um documentário biográfico de Kathryn Pasternak (EUA, 2015) no qual a diretora segue os passos da agricultora Gail Rose durante três anos, de 2010 à 2013, enquanto ela se esforça para manter uma promessa feita a seu falecido marido Alex - para manter sua fazenda e os amados veados vivos -, no coração da bela Shenandoah Valley na Virgínia, EUA. É impossível prever como a história de Gail termina, mas essa viagem será repleta de coragem, humor, sofrimento e trabalho duro para manter produtiva uma fazenda, seus animais, flores e alimentos orgânicos. Uma lição de vida e determinação.



“Jiro Dreams of Sushi” documentário de David Gelb (EUA, 2012) bastante comentado em postagens na internet, é um filme que conta a história do mestre do sushi Jiro Ono de 85 anos, sobre o sucesso do seu pequeno restaurante, de dez lugares, o Sukiyabashi Jiro localizado em uma estação de metrô de Tóquio, fato que não impediu que ele recebesse as Estrelas do Guia Michelin e se tornasse a meca dos apreciadores de sushi do mundo todo que para apreciar a iguaria preparada por Jiro têm que fazer reserva com meses de antecedência. Ademais das peculiaridades do sushi e do restaurante em si, o documentário mostra o relacionamento do mestre com seu filho mais velho, Yoshikazu Ono, que deve seguir os passos do pai na continuidade da arte do sushi, mas que por hora vive à sombra do Jiro.



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