segunda-feira, 18 de abril de 2016

Domingo de macarronada e cinema.

(Cena icônica do filme de animação “A Dama e o Vagabundo” produzido nos E.U.A. pela Disney em 1955)

Sim! Porque lá em casa domingo era sinônimo de macarronada. Já o cinema é algo que não muda, desde que temos nossa primeira experiência com a telona podemos nos sentir um pouco Totó, personagem de “Cinema Paradiso” de Giuseppe Tornatore (Itália, 1988) guardada as devidas proporções cada um tem uma história própria com a 7ª Arte, a minha começou cedo, assim como minha história com a alimentação, sou filha mais velha de cinco filhos e muitas vezes responsável pelo almoço de domingo lá em casa, noutras vezes na acirrada disputa pelo controle da TV a fim de garantir meu filme predileto.

O cinema alimenta nossa alma de sonhos, experiências e exemplos, nos faz viajar sem sair do lugar e pode nos ser muito útil no aprendizado dos mais variados assuntos. Aqui no site meu enfoque será sempre a alimentação como agente aglutinador, já que o fato de prepararmos nossa comida é algo nos difere dos demais seres vivos e promove em muitos casos interação com entorno, amigos, família e até com estranhos.

O ato de alimentar-se e de compartilhar o alimento é algo que transforma a vida do homem desde a descoberta do fogo e com o advento do cinema pelas mãos dos Irmãos Lumière (França, final do século 19), muito pode ser feito e mostrado sobre a nossa alimentação e as mudanças decorridas do nosso desenvolvimento ao longo dos anos, tudo isso através da linguagem cinematográfica e de produções audiovisuais como as que tenho selecionado e comentado aqui.

A seguir os filmes comentados em nossa fanpage neste domingo.

"La Once" (Chile, 2014) filme terno dirigido por Maite Alberdi que conta a história de cinco senhoras idosas que juntas e sagradamente se reunem uma vez por mês para tomar chá e passar o tempo relembrando histórias. Encontro esse que acontece a mais 60 anos, nesses encontros elas brigam, fazem as pazes, falam do passado enquanto tentam se adaptar as mudanças sociais que ocorrem ano a ano... Momento mágico no qual elas compartilham seus últimos anos esquecendo completamente quanto tempo têm pela frente. Um documentário que levou seis anos para ser produzido pela diretora, onde as personagens, cada uma com suas características e personalidade (a viúva, a mandona, a coquette, a solteirona e a liberal) vivem com alegria até a morte de uma delas. Um filme para rir e chorar.

O documentário ‘The way back to Yarasquin’, (coprodução EUA / Honduras, 2013) de Sarah Gerber, como o título sugere, trata de voltar às origens. Conta a história de Mayra Orellana Powell, que administra uma companhia importadora de café na Califórnia e uma pequena fazenda de café em sua cidade natal, Santa Helena, Honduras. Ao atuar como produtora e importadora, ela consegue romper o ciclo de endividamento e baixos preços impostos aos produtores hondurenhos, ajudando-os sob novas condições econômicas. A boa notícia é que o filme faz parte da programação do 7º Slow Filme – Festival Internacional de Cinema e Alimentação, que acontece em setembro deste ano em Pirenópolis, Goiás.


“A Família Bélier” filme de Eric Lartigau (França / Bélgica, 2014) trata-se de uma comédia dramática que segundo crítica e público emociona e diverte. O filme conta a história de Paula uma adolescente francesa que enfrenta todas as questões comuns de sua idade: o primeiro amor, os problemas na escola, as brigas com os pais, etc. Mas a sua família tem algo diferente: seu pai sua mãe e o irmão são surdos e mudos. É Paula quem administra a fazenda familiar que produz queijos artesanais e os vende direto ao consumidor em sua cidade, é a adolescente que traduz a língua de sinais nas conversas com os vizinhos e na loja de queijos da família. Um dia, ela descobre ter o talento para o canto, podendo integrar uma escola de prestígio em Paris. Mas como abandonar os pais e os irmãos? Visto por mais de sete milhões de espectadores em França, o filme teve seis nomeações para os Césares e deu a Louane Emera, a jovem que interpreta a personagem principal, o prêmio de Atriz Revelação pelo Público.
“The price of the sugar” original “Hoe duur was de suiker” filme de Jean van de Velde (Holanda, 2013) traz uma história de família, a saga de duas irmãs, uma branca e outra mulata que tem como pano de fundo as plantações de cana e a produção de açúcar do Suriname ex-colônia holandesa na segunda metade do século XVIII. Sarith a mulher mais bonita e cobiçada da colônia e sua meio imã Mini-Mini que vive para sempre à sua sombra. Uma história de amor, escravidão e luta impulsionada pela produção e comércio de açúcar, o ouro branco explorado pelos colonizadores. O filme foi baseado em best-seller homônimo escrito pela romancista Cynthia McLeod (filha do primeiro presidente independente do Suriname, Johan Ferrier).

“The end of the line” documentário de Rupert Murray (Reino Unido, 2009), filme disponível no Netflix que aborda a eminente extinção de populações de peixes do mundo e argumenta que medidas drásticas devem ser tomadas para reverter essas tendências, denunciando a pesca predatória e o impacto que isso causa à fauna marinha e consequentemente ao planeta. Segundo artigo do jornalista Nico Noronha “quando o filme foi pela primeira vez exibido, no Sundance Festival de 2009, o resultado foi que grandes varejistas mudaram sua política de aquisição de peixes, passando a selecionar melhor os fornecedores e a observar cuidadosamente regras que diminuam um pouco o impacto ambiental. Mas ainda é muito pouco e os cientistas entrevistados em End of the Line parecem certos que o fim é mesmo logo ali. Em 2050”.

“Bella” filme de Alejandro Monteverde (EUA / México, 2006) é um drama que se passa na cidade de Nova York. Nina, uma moça solteira descobre que está grávida, se atrasa para o trabalho e acaba perdendo o emprego, arrasada, ela recebe a ajuda de Jose, um chef de cozinha que abandona tudo para acompanhá-la em uma jornada de autoconhecimento. Enquanto ela decide se terá ou não o bebê, descobre que Jose foi um astro internacional de futebol e esteve prestes a assinar um multimilionário contrato quando algo aconteceu e colocou um fim em sua promissora carreira. De um momento para o outro suas vidas viraram de cabeça para baixo… até que uma ação impetuosa os aproxima e transforma um dia comum em uma experiência inesquecível.

“Jantar às Oito” original “Dinner at Eight” é uma clássica comédia George Cukor (EUA, 1933) com roteiro baseado em peça de George S. Kaufman e Edna Ferber que conta a história de Paula Jordan, uma aspirante a socialite, que juntamente com seu marido convidam amigos e conhecidos da alta sociedade para um jantar em sua casa na sexta-feira, às 8 horas. Cada convidado tem uma história de segredos e dificuldades, e à medida que o evento se aproxima do fim as histórias de escândalo e intriga atingem seus clímax. O filme aborda temas como pessoas ricas lidando com a perda de dinheiro e prestígio, relações entre homens e mulheres de poder, amor cego, egoísmo e altruísmo, conflitos de classes, suicídio, infidelidade, tudo isso acompanhado de muita comida e bebida. Este filme ocupou a 85ª posição na lista do American Film Institute das 100 Melhores Comédias de Todos os Tempos e teve um remake para TV com mesmo nome dirigido por Ron Lagomarsino (EUA, 1989) com a participação de Lauren Bacall.

“El asadito” de Gustavo Postiglione (Argentina, 2000) é um filme que mostra sete amigos e um convidado surpresa no terraço de Tito, o anfitrião. Os amigos se reúnem para um churrasco enquanto discutem por horas o fim do milênio, a situação da Argentina e do mundo, falam sobre mulheres, carros, futebol, política, cinema e memórias compartilhadas, também estão presentes rancores escondidos e traições que virão à tona em uma reunião que durou até as primeiras horas do último dia daquele milênio. O filme é enquadrado no movimento do Novo Cinema Argentino, que explodiu no final dos anos noventa com atores pouco conhecidos, uma estética crua e realista, com histórias voltadas à mostrar a degradação da sociedade Argentina daquele século.




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