quarta-feira, 23 de março de 2016

O “American way of life” na cozinha brasileira.


Quem não se lembra da mãe ou avó usando livros de receitas oferecidos pelas grandes marcas de produtos alimentícios e eletrodomésticos em décadas passadas?  Na verdade essa facilitação da rotina doméstica teve inicio com o surgimento no mercado de vários eletrodomésticos e gêneros alimentícios processados, oferecidos em grande maioria por marcas criadas nos EUA que expandiram suas fronteiras e chegaram ao Brasil em meados do século 20.

(Cena do filme “Mulheres Perfeitas” de Frank Oz – EUA, 2004, baseado no livro de Ira Levin) 

Com advento da televisão o chamado “American way of life” ou simplesmente “American way” invade as casas com a propaganda, as produções de cinema e um modelo de vida que funcionou muito bem (e ainda funciona) na terra do Tio Sam. Com uma das economias mais fortes do mundo, estimular o livre mercado, a produção de itens com obsolescência programada e o consumo exacerbado desses itens, fez com que o mercado dos EUA tivesse uma oferta de produtos atrativos, modelo que eles souberam explorar muito bem à partir de 1920 e desde então o país exporta seu “estilo de vida” para os países vizinhos, entre eles o Brasil. Esse pacote inclui entre outras coisas: comida processada, eletrodomésticos, utensílios de cozinha e com eles algumas receitas também.


No inicio do ano eu ganhei da minha sogra e da minha mãe alguns manuais de cozinha, revistas, livros de receitas e pequenas publicações que as acompanharam por muitos anos (publicações das décadas de 60, 70, 80 e 90) e resolvi criar uma sessão vintage aqui no blog com dicas e receitas retiradas dessas publicações com intuito de trazer um pouco da “história das coisas” e provocar alguma reflexão sobre como chegamos ao patamar em que estamos em relação à alimentação. Como e em que momento deixamos de lado o hábito de “cozinhar do zero” e passamos a consumir alimentos ultra-processados dos quais não sabemos quase nada (o jornalista norte-americano Michael Pollan é um grande crítico desse modelo e fala sobre isso em vários de seus livros).

Algumas receitas indicam o uso de produtos que puristas da cozinha não aprovam e, verdade seja dita... Quem vai usar, nos dias de hoje, salsicha enlatada em uma receita? Aliás, salsichas processadas vendidas em supermercado, bem como, nuggets, massas congeladas e uma gama de outros produtos estão fadados a desaparecer de nossa dieta alimentar se optarmos por uma alimentação saudável. Mas isso é assunto para outra postagem.


Eu lembro bem das publicações da Royal, Claybon Cremoso, Açúcar União e Maizena, elas fizeram parte da minha infância, às vezes minha mãe fazia algo saboroso retirado desses livretos. Minha maior lembrança da época é o "bolo três, três" um bolo simples pra tomar com café ou chá que minha mãe fazia com certa frequência, receita do livro "Quitutes de Dona Júlia" (receitas para salgados, doces e sorvetes) de Jorge Fuede Japur publicado em 1956 pela gráfica e editora Prelúdio, São Paulo.

Nos próximos dias farei a primeira postagem com receita extraída do material que ganhei. Se você tiver alguma publicação antiga e quiser compartilhar, entre em contato!


***

2 comentários:

  1. Nossa, adorei saber dessas edições antigas da claudia cozinha. Minha mão teve um grande coleção mas se desfez dela. Quero muito uma edição que tem um bolo de banana caramelada na capa, deve ser do início da decada de 90. Eu fazia esse bolo quando menina e queria ver a receita novamente.
    Obrigada

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  2. Oi Tatiana, obrigada pela visita. Espero que encontre o exemplar da revista que procura, talvez em sebos virtuais você possa encontrar algo. Grande abraço!

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