terça-feira, 13 de outubro de 2015

"Troco chef por tomates frescos. O primeiro tem de sobra; o segundo esta em falta" por Beto Madalosso.

Não conheço o chef Beto Madalosso pessoalmente, mas isso não me impediu de provocá-lo com a frase que dá nome a uma série de textos que serão publicados aqui no blog. Gentil, ele prontamente me mandou um relato sobre sua experiência no mundo da gastronomia e sua empreitada no mundo editorial, me refiro à publicação da Revista Tutano (da qual sou fã) lançada em 2011. Fiquei muito feliz com o retorno, coincidentemente, o primeiro restaurante que conheci em Curitiba nos anos 90, quando aqui estive por primeira vez, foi justamente o Velho Madalosso em Santa Felicidade, na época além de me deliciar com a comida, amei ouvir um Senhor que tocava piano e não me intimidei em pedir que ele tocasse “Dio, come ti amo”, foi mágico! Mas não é para saber isso que vocês chegaram até aqui, certo?


(O chef Beto Madalosso no depósito da Cantina Fadanelli - Foto: arquivo pessoal do chef )


Em “Troco chef por tomates frescos” por Beto Madalasso, eles nos relata que...

“Dizem que é porque eu não quis estudar. Eu discordo. Entrei na cozinha muito antes de me imaginar por gente. Lá de vez em quando, enquanto minha mãe preparava o almoço nosso de cada dia, eu mexia nas panelas. Era fome mesmo. Eu era (e ainda sou) aquele chato que enchia a barriga no fogão antes do almoço chegar à mesa e, quando me dei conta, já estava preparando meu primeiro Fettuccine Alfredo. Então o restaurante entrou na minha vida, ou melhor, eu entrei na vida do restaurante: minha família faz isso antes dos Rolling Stones gravarem Satisfaction. Com uns 15 anos eu já estava recebendo clientes na porta do Restaurante Madalosso, com gel no cabelo, calça de prega e gravata borboleta. Como dizia meu pai: “Italiano precisa ter filho homem pra ajudar na roça”.

Aí chegou a hora de escolher uma profissão... Tentei cinco diferentes áreas e acabei passando numa repescagem pra Administração. Depois encarei uma pós em economia e, pra fechar meu ciclo acadêmico, fiz ainda um ano de gastronomia. Nesse meio tempo, trabalhei por alguns meses como cozinheiro num restaurante em Nova York, em busca de mais conhecimento.

Acabei me formando mais na vida prática do que na vida teórica. O Madalosso foi minha verdadeira escola – uma indústria capaz de atender mais de 4.000 pessoas simultaneamente. Lá, passei por diversas áreas: RH, financeiro, Atendimento, Cozinha etc. Eu era uma espécie de estagiário do meu pai. Conhece aquele pensamento “pra saber mandar tem que saber fazer”? Então... na minha casa é assim. Eu fazia a arte do cardápio, fazia a compra de louças na ponta de estoque, entrevistava o garçom, apertava a mão do cliente, tirava pedido, apagava as luzes e desligava as geladeiras no final da noite, e, de repente... demiti o primeiro garçom. É nessa hora que a gente sente o peso de ser dono de um negócio. Foi o início de uma nova etapa. Logo, assumi a cozinha e a direção da Cantina Fadanelli (outro restaurante da família) e, em 2011, quando fiz 33 anos, fui pro meu primeiro voo solo, meu restaurante próprio, a Forneria Copacabana da rua Itupava. Nesse mesmo ano, também movido pela paixão por gastronomia, lancei a primeira edição da minha revista, a Tutano, que caminha pra ser um dos mais importantes veículos sobre o assunto no Paraná. Em 2014 minha hiperatividade me levou a abrir a primeira filial da Forneria Copacabana, no bairro do Água Verde. Assim como nossa matriz, é um conceito Casual Dinning, o tipo de lugar que eu gostaria de frequentar como cliente. Gastronomia descomplicada com ambiente relaxante, pra se sentir em casa... Só não vale dançar em cima da mesa!


Troco chef por tomates frescos. O primeiro tem de sobra; o segundo esta em falta ou troco chef por cozinheiros porque todos querem ser chef e o que precisamos mesmo são cozinheiros.”

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