domingo, 13 de setembro de 2015

Mais sobre a cultura alimentar no mundo através do cinema.

Aqui na Cozinha da Meg Mamede você encontra mais que pratos ou receitas deliciosas, pois acredito que mais que matar a fome sentir prazer através dos nossos outros sentidos é algo maior que a sensação momentânea de saciedade que a comida pode nos dar, afinal, somos seres culturais e necessitamos mais que comida. Sei que com fome não vamos muito longe, mas sem conhecimento não vamos a lugar algum. Se não tívessemos evoluido ao longo do tempo ainda estaríamos comendo carne, vegetais e outros alimentos crus ou preparados de maneira grosseira em volta de uma fogueira ou o pior, estaríamos competindo com os animais pela comida e não teríamos nos tornado seres sociáveis inclinados à reunião e celebração.

Alimentar a alma com bons livros e bons filmes é um prazer que devemos aprender a cultivar e difundir. Por que digo isso? Porque deparo várias vezes com pessoas sem repertório cultural, não que isso seja um problema, mas aproveitamos muito mais a vida quando nos abrimos ao novo, ao diferente e sobretudo quando somos curiosos e experimentadores da vida. Com o advento da internet, pesquisar, ler e ver um filme se tornou muito mais fácil... as barreiras geográficas e as fronteiras territoriais diminuiram e hoje é possível acesssar muita informação em tempo real e tirar proveito disso da melhor maneira, revertendo inclusive para o nosso prato.

Como entender a gastronomia enquanto ciência que estuda a alimentação a partir de vieses diversos: antropologia, sociologia, tecnologia, nutrição, fisiologia, ecologia, agricultura, química, física, etc.? É possível encontrar um caminho que une tudo isso de maneira divertida e acessível, me refiro a uma das mais populares linguagens artistíscas atuais, o cinema.  

Há algum tempo venho pesquisando sobre os chamados filmes gastronômicos, categorizados nos festivais internacionais de cinema do mundo todo como: food ou wine filmes, food movie, etc., e descobri que há muitos diretores voltados à produção audovisual para o seguimento alimentar (nas variadas etapas, do plantio ao produto final) contando histórias de lugares, pessoas, alimentos e processos, além de outros profissionais preocupados e engajados com o futuro da nossa alimentação e saúde, por isso não me canso de publicar em nossa fanpage e aqui no blog pequenas notas sobre esses filmes e documentários. Esta semana comentamos sobre produções que acabam de ser lançadas e premiadas em importantes festivais na Europa e América, produções realizadas em países como EUA, Argentina, Itália, França, Islândia e Japão.

Espero que goste das nossas indicações.




O filme "Steak(R)évolution" de Franck Ribière (França, 2014) é uma busca global, com escalas no Japão, Argentina, Brasil, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e outros países, pelo melhor bife do mundo.O documnetário apresenta conversas exclusivas com chefs, produtores, açogueiros, proprietários de "steakhouse", jornalistas e especialistas sobre as muitas variáveis que afetam a qualidade da nossa carne. O diretor Franck Ribière explica uma variedade de métodos de produção e os diferentes métodos de preparação, impactando positivamente nossas refeições. Além disso, o filme desvenda como operações de pequena escala impactaram e levantaram a indústria do setor, e como produtores de carne implementaram práticas agrícolas sustentáveis em toda a linha de produção. Para quem gosta de carne é um prato cheio. O que torna Angus Angus? O que torna Kobe Kobe? Quem tem a melhor carne do mundo? Qual é a melhor maneira de cozinhá-lo e servi-la ?! Podemos sentir-nos menos culpado consumindo carne? Essas e muitas outras questões são levantadas no filme.



O filme "City of Gold" de Laura Gabbert (EUA, 2015) é um documetário biográfico sobre Jonathan Gold, cirítico gastronômico vencedor do primeiro Pulitzer Prize sobre culinária. Crítico gastronômico do Los Angeles Times Jonathan Gold é um ícone cultural amado e eminentemente conhecido naquela cidade. A diretora apresenta um perfil divertido e de peso igual para o homem e seu métier. Mais do que qualquer outro, Gold, homem corpulento, de cabelos compridos é um crítico que tem feito o trabalho braçal para descobrir os diferentes pontos e maravilhas culinárias da cidade, nos subúrbios e arredores, em grande parte nas áreas da cidade que receberam muitos imigrantes e em seguida, fez o seu melhor para contextualizar suas experiências. Ao fazê-lo, transformou a revisão dos restaurantes em crítica séria, divertida e cultural, mostrando uma outra Los Angeles, onde a cozinha étnica é um portal caleidoscópico para os mistérios de uma cidade de difícil controle na alma da América.



O documentário "Oyster Factory" (Japão, 2015) de Soda Kazuhiro traz uma abordagem discreta é igualmente concebida para revelar o funcionamento dos sistemas e mostrar seus pontos fortes e fracos sobre a captura, descasque e venda de ostras no Japão, mas seu interesse do diretor vai além de moluscos. Filmando em aldeias costeiras ao norte de Okayama, o documentarista Soda Kazuhiro encontra as pequenas fábricas de ostras em perigo, apesar de um recente influxo de pescadores de Fukushima (refugiados do tsunami), há uma escassez grave e crescente de mão de obra, em grande parte porque a próxima geração não quer herdar ou executar as empresas. A solução: o trabalho importado da China. O foco do diretor muda gradualmente de ostras para relações sino-japonesas, e o segmento final de seu filme mostra a chegada de uma força de trabalho chinesa.



Em "Hrútar" (Islândia, 2015) de Grímur Hákonarson a rivalidade de proporções bíblicas entre irmãos, definidas no contexto competitivo e cultural de fazendas de criação de carneiro, pode parecer uma combinação improvável mas o cineasta islandês Grímur Hákonarson cria um drama convincente, discreto e muitas vezes bastante divertido que merecidamente levou para casa o prêmio máximo da mostra paralela "Un Certain Regard" do Festival de Cannes 2015. No filme somos apresentados a irmãos separados Gummi (Sigurdur Sigurjónsson) e Kiddi (Theodor Júlíusson) no meio da competição anual do seu vale pelo melhor carneiro. Eles correm fazendas adjacentes, mas não se falam, amargamente tentando superar um ao outro, tentando teimosamente defender um rancor de origem misteriosa, quando um vírus incurável é detectado entre alguns dos animais e as autoridades determinam que todas as ovelhas devem ser sacrificadas de modo a evitar a sua propagação. Um golpe devastador para a vida de cada irmão, assim como para o orgulho da cidade. Gummi e Kiddi vão lidar com esta tragédia de maneiras diferentes, aumentando a tensão já palpável entre eles. Com um inverno sempre presente e uma paisagem duramente bonita de um vale remoto que se torna um personagem em si e o pano de fundo para uma intensificação da rivalidade de décadas, articulada pelo terreno gelado e sombrio que os rodeia. As dificuldades da vida rural e as ligações coesas entre esses homens e sua vocações, imbuidos com apostas altas, torna o filme um conto inesquecível, simples na sua narrativa e ainda complexo no seu âmbito emocional.



O filme "The duel of wine" (Argentina / Itália, 2015) do diretor argentino Nicolas Carreras que dirigiu também "El camino del vino" (Argentina, 2010), traz o famoso sommelier Charlie Arturaola que cai em desgraça após uma perda momentânea de seu paladar durante as filmagens de um filme. A imagem de "um Sommelier sem paladar" destrói sua carreira. Depois de alguns anos, Charlie torna-se um motorista de táxi, mas ele nunca desistiu de sonhar e de tentar obter sua habilidade de volta. Quando Charlie acidentalmente fica sabendo do recém-chegado sommelier italiano, ele virá com um plano maluco para tentar retornar para o mundo do vinho! O filme é enriquecido pela participação de sommerliers, especialistas em vinho e chefs da Itália, País Basco, Champagne, Bordeaux, Argentina e Uruguai. O diretor apresenta nomes atuais e importantes do segmento enograstronômico como Jean F. Rouquette do Park Hyatt Vendome de Paris; Gianfranco Vissani de Rai Italia; Cesare Casella de Salumeria Rossi NYC; Donato De Santis de Cucina Paradiso Buenos Aires y Karlos Arguiñano do País Basco, España.


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