quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Faça vinho, não faça guerra!



Estou nas últimas páginas do livro “Vinho & Guerra: os franceses, os nazistas e a batalha pelo maior tesouro da França” de Don e Petie Kladstrup lançado no Brasil pela Editora Zahar em 2002, não pude esperar terminá-lo para comentar o quanto a leitura é envolvente, um relato histórico cheio de curiosidades sobre a bebida dos Deuses e as atrocidades cometidas por Hitler e seus seguidores durante a 2ª Guerra Mundial. O autor faz um recorte espacial tratando da ocupação alemã em território francês, contando com detalhes o que produtores de vinho da Borgonha, Bordeaux, Champagne, Alsácia-Lorena e outras regiões da França passaram durante o período de guerra.

Lembro-me que há alguns anos o amigo Gianni Tartari especialista em vinhos, reconhecido e premiado sommelier brasileiro, me indicou a leitura desse livro mas na ocasião eu estava lendo “De Caçador a Gourmet: Uma História da Gastronomia” de Areovaldo Franco da Editora Senac SP (2001) e em seguida me ocupei de outras leituras. Devido ao meu atual interesse pela gastronomia e paixão pela história “Vinho & Guerra” acabou caindo nas minhas mãos, e... se eu soubesse que era tão bom teria lido antes.

Neste livro, Don e Petie Kladstrup trazem uma narrativa da saga de tradicionais famílias de vinicultores franceses que impediram os nazistas de roubar um de seus símbolos mais genuínos - o vinho. Usando das incríveis artimanhas como a construção de paredes com teias de aranha para esconder safras preciosas, sabotagem de trens que transportavam vinho para a Alemanha, os produtores de vinho formaram uma espécie de Resistência paralela a fim de proteger a economia da França e preservar um de seus prazeres mais inebriantes e diletos.

Os autores tiveram carreiras de sucesso como jornalistas, recebendo inúmeros prêmios. Hoje, dividem seu tempo entre Paris e a Normandia e são colaboradores de várias revistas britânicas, dentre as quais se destacam The World of Fine Wine, Wine International e Saga. Os dois alcançaram sucesso mundial com o livro "Vinho & Guerra", best-seller traduzido para 12 idiomas e lançado no Brasil pela Zahar. 

Para quem se interessar em saber mais sobre a produção vinícola dessas regiões aproveito para indicar outro livro dos autores acima, "Champanhecomo o mais sofisticado dos vinhos venceu a guerra e os tempos difíceis" lançado em 2006 no Brasil também pela Editora Zahar e alguns filmes que fazem parte da nossa lista de “Filmes que são uma delícia” aqui do blog, me refiro a dois filmes que retratam a produção de vinhos de Champagne e Borgonha de David Kennard e um que traz pouco da história atual de Bordeaux, filme de David Roach. Importante ressaltar que essas produções não são inteiramente francesas, mas nem por isso menos interessantes.

Bem, ficam as dicas e espero que gostem do livro, como eu gostei, e dos filmes também.




“Um ano em Champagne” título original "A year in Champagne" (USA, 2014) é mais um filme no estilo documentário de David Kennard (o mesmo diretor de "A year in Burgundy", 2013) é o segundo filme da trilogia sobre vinhos de Kennard (o terceiro em fase produção deixa a França e segue o caminho da produção do vinho na cidade do Porto, Portugal). Em "A year in Champagne" o diretor tem por guia o renomado importador de vinhos Martine Saunier, o filme é uma oportunidade para conheceremos os bastidores do verdadeiro Champagne através de seis casas, entre elas, as de pequenos produtores independentes e as casas ilustres da Gosset e Bollinger. O filme descortina a produção para mostrar todo o trabalho e amor depositado na produção da bebida da alegria, sedução e celebração.



“Um ano na Borgonha” título original "A Year in Burgundy" é um documentário de David Kennard (USA-França, 2013) que acompanha sete famílias de vinificação na região de Borgonha na França ao longo de um ano inteiro e investiga o processo cultural e criativo de fazer o vinho, bem como os seus profundos laços com a terra. O filme está dividido em quatro estações e tem por pano de fundo: as chuvas de primavera, secas, ondas de calor, granizo e tempestades, luas de colheita e o frio úmido do inverno. Cada garrafa traz a história de um ano muito específico, com o seu padrão de tempo particular, suas crises e seus triunfos.



Em  “Obsessão Vermelha” título original “Red Obsession” (Austrália, 2013) dirigido por David Roach e Warwick Ross, o ator australiano Russell Crowe narra de forma divertida a história da tentativa de mudar a natureza da indústria do vinho francês. Durante séculos Bordeaux teve um status mítico no mundo dos vinhos finos como um símbolo de riqueza, poder e influência. Os preços para os seus prestigiados vinhos tintos foram quebrando recordes com o surgimento de um crescente mercado chinês que está mudando a natureza do vinho no século 21. Apresentando entrevistas com colecionadores, apreciadores e enólogos, o filme mostra a exploração das complexidades e imprevisibilidade do mercado global, os efeitos econômicos e a influência dos colecionadores chineses obcecados, no mercado do vinho.


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