terça-feira, 2 de junho de 2015

Virado à Paulista ou Tutu à Mineira?

(Tutu à Mineira - Foto: Meg Mamede)


Hoje foi dia de comida caseira, aquela que lembra casa de avó, infância no sítio, reunião de família e memórias afetivas. Pratos e situações que realmente podemos chamar de comfort food já que hoje a febre é nominar as coisas com termos estrangeiros adotados pela gastronomia mundial. Independente de tendências e modismos, durante nossa aula de hoje e devido aos pratos eu não tinha como não me lembrar do meu saudoso pai, o Sr. Mamede. De virado de feijão, neste caso tutu à mineira, passando pela quirera (ou Canjiquinha) com costelinha de porco (que meu pai fazia com pés de galinha) ao frango com quiabo (este último prato me lembrou D.Lula, mineira porreta que conheci há alguns anos numa pequena cidade entre Barbacena e Tiradentes), o fato é que neste dia frio aqui Curitiba, entre 8 e 10 graus, o almoço foi especial por conta das muitas lembranças, além dos aromas e sabores com os quais fechamos a aula do chef João Soto.

Seja tutu à mineira, seja virado à paulista, as variações existem por conta dos territórios e regionalismos, porém é sabido que o virado à paulista teria dado origem ao tutu mineiro, o que é normal se formos pensar em termos históricos, afinal as Minas Gerais se tornaria mais populosa a partir da chegada dos exploradores e bandeirantes, que juntamente com índios e negros são as matrizes formadoras do Estado, como em muitas outras partes do Brasil. Foi à partir das viagens pelo interior de São Paulo que alguns homens adentraram pela região que conhecemos hoje por Minas Gerais (nome dado devido as ricas reservas de pedras preciosas e minérios) e ali se estabeleceram. Para alguns historiadores o virado paulista surgiu de maneira inusitada, enquanto tropeiros, exploradores e viajantes do século XVII seguiam viagem pelo interior de São Paulo a comida levada por eles era distribuída no farnel, lado a lado, o feijão e a farinha que levavam no lombo do cavalo, com o balanço do galope se misturavam, por isso o nome virado, depois juntaram a isso outros ingredientes como a carne de porco conservada em sua própria gordura ou banha (o chamado Confit, carne preservada em gordura animal), ovos, etc.. Quanto à textura, ela também pode variar de acordo com quantidade de farinha utilizada, geralmente o tutu é mais pastoso que o virado, mas o resultado vai do gosto de quem os prepara, e inclui também o tipo de farinha, normalmente é utilizada a farinha de milho amarela ou branca, mas algumas receitas utilizam a farinha de mandioca ou ainda a mistura das duas.

Vamos à receita de hoje... Virado à Paulista ou Tutu à Mineira.

Ingredientes:

500g Feijão (de sua preferência) já cozido
5 colheres (sopa) de farinha de milho (amarela ou branca)
Alho e cebola picados
300g Bacon cortado em cubinhos pequenos
Óleo ou banha de porco (gordura extraída da barriga do porco quando do preparo de torresmos e pururucas)
Salsinha picada
5 ovos
Puruca para finalizar (*q.b)
Sal a gosto
Pimenta do Reino moída na hora (ou se preferir dedo de moça sem a semente para menos picância)
Limão Cravo (também conhecido por limão Caipira ou Rosa)

Modo de preparo:

Em uma panela grande aqueça o óleo ou a banha de porco, frite o bacon, acrescente a cebola e o alho picados e deixe refogar, em seguida acrescente o feijão com parte do caldo, coloque sal e pimenta, mexa e deixe reduzir um pouco. Enquanto isso frite os ovos e reserve. Passado uns 20 minutos acrescente mais caldo de feijão se necessário e corrija o sal, depois coloque a farinha de milho e mexa novamente. Para deixar o virado ou tutu com a consistência de sua preferência lembre se de: colocar mais farinha para deixar mais seco, menos farinha para ficar pastoso. Por fim, acrescente uma parte da salsinha picada e os ovos fritos e picados e misture. Desligue o fogo e salpique sobre o virado a sobra da salsinha e cubra o que puder com as pururucas. Sirva em seguida com pedaços de limão cravo e arroz branco.

Dicas: - Caso tenha dificuldade para preparar a pururuca em casa, a opção é comprá-la desidratada (em lojas especializadas, em grandes redes de supermercado ou em mercados públicos municipais), reidrate-as, enxugue e em seguida coloque-as em um frigideira com óleo bem quente, em poucos minutos elas estarão prontas. – A cachaça brasileira ou uma caipirinha de cachaça harmoniza muito bem com esse prato simples e delicioso da nossa culinária.


Tempo de preparo: 1 hora (inclui o cozimento do feijão)

Rendimento: 10 pessoas

Dificuldade: Fácil


*q.b = quante baste

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