quarta-feira, 24 de junho de 2015

Comida e cinema, cinema e comida... não necessariamente juntos.

(Foto: Google Imagens)
O que quero dizer com isso? 

É que sou resistente a modismos do tipo ir ao cinema e degustar algum prato do filme na sala de cinema, com algumas dezenas de pessoas e durante a exibição. Comida na telona tudo bem, mas nada de ouvir o ruído de pessoas mastigando, derrubando talheres ou chamando o garçon, sem contar o cheiro da comida na sala de cinema, só de imaginar já fico enjoada. 

Isso não me apetece em nada. Diferente é claro de propostas mais intimistas que aconteçam em um restaurante ou espaço onde a comida é os filmes se complementam de maneira viável.

Comida e cinema podem estar juntos em um festival de cultura através sessões de cinema em uma feira de alimentação ou um circuito com pratos temáticos, baseados nos filmes, em restaurantes da cidade por exemplo. Mas, eles devem ser tratados com a atenção que cada um deles merece, cada um no seu espaço e com protagonismo próprio.

Modismos à parte, cinema é cinema, comida é comida. No cinema só pipoca e não se fala mais nisso!

Pode parecer contraditório já que aqui no blog as categorias Food e Wine Films estão sempre presentes, mas de uma maneira diferente, pois a ideia aqui é dar a conhecer produções cinematográficas e audiovisuais que têm a alimentação e tudo que diz respeito a ela como objeto de interesse do diretor, produtor, documentarista e/ou pesquisador, a alimentação a partir de uma ótica cultural. Nos empenhamos para trazer informações sobre filmes que muitas vezes nem chegam ao Brasil, mas estão presentes nos festivais de cinema e eventos gastronômicos mundo afora. 

Faz alguns dias que não comentamos nada por aqui, selecionamos alguns títulos para esta semana, entre eles: um documentário italiano, um curta norte-americano, uma ficção também norte-americana e um filme franco-mauritano que apesar de ficcional tem como inspiração uma história real ocorrida no verão de 2012 em uma pequena cidade no norte de Mali.
“Foccacia Blue” filme de Nico Cirasola (Itália, 2009). O filme é uma mistura de documentário e ficção, com momentos bem divertidos, que conta uma história verdadeira que aconteceu em uma aldeia de Altamura, cidade na província de Bari, na Itália. Famosa pelo seu pão de denominação de origem protegida (DOP), em 2001 a tal aldeia vê uma unidade da rede de fast food McDonald ser aberta no local, porém, poucos meses depois o padeiro Luca Di Gesù com seu irmão Joseph, abrem uma pequena focacceria. Depois de apenas um ano o fast food é forçado a fechar por falta de clientes, em parte causada pela concorrência da focacceria. O filme é um trabalho de amor sobre a manutenção de tradições locais. Não se trata de um filme antiamericano, nem mesmo anti-McDonald, é apenas uma história de amor sobre pessoas que se importam profundamente com o lugar onde eles foram criadas e que gostariam de ver suas tradições mantidas. (categoria: pipoca)
“Pie Lady of Pie Town” é um curta-metragem documental biográfico escrito e dirigido por Jane Rosemont (EUA, 2013). O filme conta a história de Kathy Knapp, que mudou a vida para assar tortas artesanais, como fazia sua mãe antes de adoecer e voltar para Chicago, em uma pequena cidade dos EUA. Ela se mudou para uma cidade sem semáforos, nenhum posto de gasolina e outras comodidades, um lugar minúsculo de 180 habitantes  no sudoeste de Albuquerque. O curta é sobre como sua nova vida lhe trouxe recompensas ilimitadas, é uma história de alegria, paixão e perseverança. Os personagens desta pequena cidade são o pano de fundo para sua história pessoal. (categoria: pipoca)
“The Perfect Host” título em português “O anfitrião perfeito” escrito e dirigido por Nick Tomnay (EUA, 2010). O filme faz o tipo humor negro, na trama, um bandido em fuga, John Taylor, decide se abrigar na mansão de um sujeito pacato, um educado senhor que aguarda alguns amigos para um jantar. Mas a noite é longa e incerta – com o passar das horas muitos segredos serão revelados – e o que o visitante inesperado não sabia é que o anfitrião, um especialista em receber e entreter convidados, tem uma tendência ao sadismo. (categpria: pipoca)


“Timbuktu” filme de Abderrahmane Sissako (Mauritânia/França, 2014). Este drama mostra a realidade vivida em um lugarejo não muito longe da antiga cidade de Timbuktu no Mali, agora governada pelos fundamentalistas religiosos, onde um orgulhoso pastor de gado tuaregue chamado Kidane vive pacificamente nas dunas com sua família. Na cidade as pessoas sofrem impotentes com o regime de terror imposto pelos jihadistas, grupo determinado a controlar a fé de toda a população. Música, risos, cigarros, mesmo futebol foram proibidos. As mulheres tornaram-se sombras, mas resistem com dignidade. Todos os dias, os novos tribunais improvisados emitem sentenças trágicas e absurdas. Kidane e sua família estão sendo poupados do caos que reina em Timbuktu, mas, o destino de Kidane muda abruptamente quando um incidente com um pescador o faz ser condenado a pagar o equivalente a 40 cabeças de gado que ele não possui.  O filme foi selecionado para competir para a Palma de Ouro na seção principal da competição no Festival de Cannes 2014, ocasião em que recebeu o Prêmio do Júri Ecumênico e o prêmio François Chalais, e foi também nomeado para representar a Mauritânia na categoria de Melhor filme em língua estrangeira na premiação do Oscar deste ano (2015). (categoria: abacaxi)

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