quinta-feira, 4 de junho de 2015

A gente não quer só comida, a gente quer cinema, diversão e arte!



É verdade, nós não podemos e nem devemos querer só comida. Talvez isso tenha sido necessidade única em algum momento remoto e longínquo da humanidade, talvez para nosso ancestral “homem das cavernas”...  Ainda assim tenho dúvidas sobre isso, pois já naquela época outras características do comportamento humano se fizeram presentes através, por exemplo, da arte rupestre, sinalizando que as muitas linguagens artísticas (música, dança, artes visuais e plásticas, etc..) são inerentes ao Homem e que ao longo dos milênios a evolução humana se mostrou inclinada a buscar algo para além da satisfação fisiológica. 

Onde quero chegar com isso? 

Quero apenas legitimar a necessidade que temos de alimentar o corpo e a alma também e que para tanto, em pleno século XXI, temos muitas opções e formatos se comparado a outras épocas.  Para os brasileiros o cinema e a produção audiovisual (filmes, séries, animações, documentários, etc.) são as opções mais acessíveis e consumidas segundo pesquisas do segmento cultural, as opções oferecidas para o consumo de massa pela indústria cultural ainda se dá, em parte, através de filmes produzidos em parceria com grandes redes de TV e a distribuição casada entre salas de cinema e os chamados “blockbusters” o que tem sido motivo de novos acordos entre os órgãos reguladores brasileiros, distribuidoras e redes de cinema para mudar essa configuração, dando mais chances a produções nacionais e independentes. Ainda assim sofremos com a não distribuição de produções nacionais e internacionais da categoria food and wine films, tema recorrente das nossas postagens. A grande maioria dos filmes comentados em nossa fanpage e depois aqui no blog não chegam ao Brasil, com sorte entram na programação de festivais de cinema como o Festival do Rio – Rio de Janeiro Internacional Film Festival, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e mais especificamente no recente “Slow Filme” Festival Internacional de Cinema e Alimentação de Pirenópolis, GO. 

O blog Cozinha da Meg Mamede vai continuar comentando o que tem sido produzido e exibido no mundo, títulos dos quais tomamos conhecimento através de constante pesquisa em sites especializados e festivais de cinema e gastronomia internacionais. Nesta semana trazemos produções asiáticas, europeias e uma norte-americana que têm o meio ambiente, as tradições culinárias locais e a produção de vinho como protagonistas. China, Índia, França, Itália e EUA estão bem representadas e o filme "A Menina dos Campos de Arroz" que entrou em exibição no circuito nacional na útima semana, é uma boa chance de conferir a bonita história de A Qiu.


"A Menina dos Campos de Arroz" (La Rizière, França, China / 2010), dirigido por Xiaoling Zhu estreou no último dia 28 no Brasil. Aos 12 anos de idade, A Qiu mora em uma pequena cidade no sul da China, cercada por campos de arroz. Ela é criada pela avó, enquanto os pais tentam ganhar a vida na cidade grande. Mas com a morte da avó, os dois são obrigados a retornar à cidadezinha, mudando a vida de A Qiu. Enquanto se adapta à nova rotina, a garota sonha em se tornar escritora. Filme que esteve presente em vários Festivais de Cinema do mundo, entre eles o Berlinare 2013 na categoria Culinary Cinema. Vale a pena conferir. (categoria: pipoca)


"Ustad Hotel" é um filme de Anwar Rasheed (India, 2012) escrito por Anjali Menon. O filme é sobre um jovem chamado Faizal (conhecido como Feyzee), que estudou na Suíça para ser um chef de cozinha e ir de encontro aos desejos de seu rico pai. Como a relação entre pai e filho se deteriora, Feyzee é forçado a trabalhar como cozinheiro em um restaurante em Kozhikode (Calicute, em Kerala) administrado por seu avô Karim. Um forte vínculo se desenvolve entre Karim, um velho sufi muçulmano, e seu neto educado, que por acaso decide trabalhar permanentemente no restaurante. O filme também aborda questões de pobreza, menos privilégios e tensões entre ricos e pobres na Índia. A comida, e suas nuances, se torna um personagem central no filme. (categoria: pipoca)


"Pierre Rabhi, Au nom de la Terre" é um documentário de Marie-Dominique Dhelsing (França, 2012) que conta a história de Pierre Rabhi um agricultor, escritor e pensador. Rabhi é um dos pioneiros da agroecologia na França. Por quarenta anos ele se dedica ao serviço do homem e da natureza, é agora chamado o despertar das consciências para construir um novo modelo de sociedade em que um "sobriedade feliz" iria substituir o consumo excessivo e o mal-estar de civilizações contemporâneas. Este filme traça a rota de um "sábio", o deserto argelino a sua experiência internacional em segurança alimentar. A história de um homem e sua extraordinária capacidade de pensar e agir, congregando o que a humanidade tem de melhor para preservar o nosso planeta. "Pierre Rabhi, Em nome da Terra" conta a viagem de uma vida e o projeto de um pensamento que coloca a humanidade a enfrentar o desafio de seu próprio destino. (categoria: abacaxi)


"From Ground to Glass" de Rob Dafoe (EUA, 2006) esteve presente no mesmo ano na seleção oficial do Santa Barbara International Film Festival, o filme segue o diretor e ex-snowboarder Robert Dafoe na criação do seu próprio vinho pela primeira vez. Fabricado artesanalmente em torno do Santa Ynez Valley, o charme sincero do documentário intercala a jornada de Dafoe na vinificação, com comentários perspicazes de enólogos veteranos, incluindo Jim Clenenden (Au Bon Climat) e Warren Winiarski (Stag's Leap Wine Cellars). (categoria: pipoca)


"Come le Formiche" (Wine and Kisses, título em inglês) de Ilaria Borrelli (Itália, 2007) trata-se de uma comédia que conta a história de uma família de fabricantes de vinho que tentam recriar o "Rubro", um vinho único que a família costumava fazer com base na sua própria receita secreta, e esperam com isso se tornar um sucesso novamente. O sonho de Sveva, enóloga umbra, é voltar a produzir o vinho a partir de uma uva descoberta em companhia de sua mãe, que morreu 10 anos antes. Além disso, essa é a única esperança que a família tem para salvar a empresa perdida em dívidas e obter melhor pontuação em um guia escrito por renomados e famosos sommeliers italianos. (categoria: pipoca)

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