terça-feira, 19 de maio de 2015

Pense no Garfo, livro de Bee Wilson.

A gastronomia como ciência é muito mais que saber executar com destreza esta ou aquela receita, impressionar os amigos com um prato saboroso e bonito já não é privilégio, e acho que nunca foi, de alguns, o segredo sempre repito: é tratar os alimentos com afeto, cuidá-los bem, seja na hora de plantá-los e colhê-los, seja na hora de escolhê-los e comprá-los, etc.. Depois vem todos aqueles cuidados no preparo que qualquer pessoa observadora e atenta sabe da necessidade. Coisas básicas como não salgar demais, não deixar cru nem passado, não queimar, etc.. Como construimos nosso paladar ao longo da vida também interfere bastante na hora de preparar algo, não há dúvidas que aquele que provou mais sabores pode arriscar mais na cozinha, misturando isso e aquilo, errando e acertando nas combinações, etc.. Mas há outros aspectos que fazem da cozinha moderna ser o que é, como em tudo nesta vida, a tecnologia crescente e as invenções contribuem e muito para como cozinhamos ou como não cozinhamos hoje e também para como percebemos o que comemos. Todo o desenvolvimento e inovação feita pelo Homem esbarra na primordial necessidade humana, a alimentação, e é sobre isso que o livro da escritora e historiadora britânica Bee Wilson trata.

Com experiência em crítica literária e varias contribuições para revistas e jornais britânicos sobre alimentação, prêmios e participações em programas, como a edição do Master Chef  de seu país, Bee escreveu alguns livros, entre eles "Pense no Garfo: Uma história da cozinha e de como comemos" lançado em 2012 na Inglaterra e em 2014 no Brasil pela Editora Zahar, onde ela aborda da velha colher de pau às moderníssimas máquinas de cozimento a vácuo, relatando as incontáveis invenções, pequenas e grandes, para chegarmos às cozinhas bem equipadas de hoje. Observando que raramente nos ocorre pensar sobre os caminhos da criatividade humana na cozinha.

Desde a pré-história, os humanos lutam para transformar ingredientes crus em coisas deliciosas, ou ao menos comíveis. Os utensílios e aparatos usados para isso moldam o que comemos (e vice-versa), mas também transforma a maneira como consumimos nossos alimentos e como pensamos sobre eles.

Os primeiros potes de barro, por exemplo, possibilitaram a invenção da sopa, permitindo que mais indivíduos, mesmo sem dentes, chegassem à idade adulta. A escassez de lenha fez com que as refeições orientais viessem a ser preparadas cruas ou em pequenos pedaços, que cozinham mais rapidamente, demandando menos combustível para o fogo. O hoje prosaico garfo, usado desde tempos remotos no preparo das refeições, só na era moderna passou à mesa - e modificou os dentes da aristocracia.

Unindo história, ciência, antropologia e gastronomia, a premiada jornalista de culinária Bee Wilson nos oferece um texto fluente e apetitoso. Recebida com entusiasmo pela crítica especializada inglesa e americana, esta é uma irresistível história cultural das nossas cozinhas, com seus apetrechos, comidas e, claro, os nossos garfos e facas de todo dia.

Boa leitura!






Livro: Pense no Garfo: Uma história da cozinha e de como comemos

Autora: Bee Wilson

Editora: Zahar








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