terça-feira, 14 de abril de 2015

Doçuras pelo mundo: Pamonha na folha de Caeté.

(Pamonha na folha de Caeté, Curau e Bolo de Milho - Foto: blog Cumê Devagarinho)


Infelizmente não tenho registro fotográfico da minha saudosa avó materna, Dona Maria, carinhosamente chamada por nós de "Vó da Bica" (por conta da bica d'água que havia no sítio) preparando as pamonhas envoltas em folhas de Caeté na beira do riacho em um girau improvisado, mas guardo a memória desses momentos comigo.

O preparo da pamonha doce feita na folha de Caeté é muito comum no interior de São Paulo no chamado Vale do Paraíba, em referência ao Rio Paraíba do Sul que nasce naquela região. O sítio onde passei a infância fica em Salesópolis-SP, e lá meus avós plantavam entre outras coisas o milho que é o ingrediente básico da pamonha.

O milho é um dos cereais mais cultivados e utilizados no processamento de outros alimentos no mundo todo. Original do México, o grão era cultivado por povos indígenas da América seguindo para Europa pelas mãos dos colonizadores.  Hoje seus maiores produtores são os E.U.A, a China e o Brasil.  Mas é no seio da família rural e caipira que a tradição da pamonha, do curau e do bolo de milho, doçuras apreciadas em quase todo o Brasil, ganha força.  

(...) A própria colheita do milho verde, tem uma tradição no meio rural, como a primeira festa para comemorar a boa produção. Muitas famílias se reúnem, ainda até hoje, em torno da pamonhada, sempre convidando os vizinhos.

As pessoas se dividem em grupos para agilizar os trabalhos. Um grupo vai para a colheita escolher as espigas no ponto certo, isto é, “granadas” Depois todos se juntam para descascar e limpar as espigas. Outro grupo cuida de cortar as folhas de caetê e colocar de molho.

O trabalho duro é ralar as espigas, e raspar os sabugos. Uma pessoa prática adoça e enche as folhas, amarrando com pedaços de palha. No final o serviço do tacheiro, que numa água bem fervente, coloca as pamonhas, e cobre com os sabugos, para dar peso. Alí fica cozinhando por cerca de 40 minutos. Ao final, todos comem com um bom café e separam algumas para levar prá casa. (Fonte: Cumê Divagarinho)

(Casa da vó Maria no sítio em Salesópolis - Foto: Meg Mamede)
(Folhas de Caeté, Pamonha, Curau e Bolo de Milho - Fotos: Google Imagens)

Só quem já viveu os momentos da colheita e do preparo da pamonha, separando espigas, ralando o milho para tirar seu suco, separando e cortando as folhas de Caeté direto das margens de um riacho para em seguida embalar essa iguaria sabe o significado da vida no campo. O tempo do homem do campo é outro e em nada se parece com a loucura da vida nas grandes cidades. 

Que saudades da vó Maria, da infância e da pamonha, momentos inesquecíveis....pura doçura.  



Próxima doçura: Goxua (País Basco, Espanha) 

Doçura anterior: Pandoro con crema al Limoncello (Itália)


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4 comentários:

  1. Respostas
    1. Boa noite José Eduardo, é verdade temos muitos saberes e sabores por este Brasil afora, doçura não nos falta! Abs.

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  2. Isso me trouxe lembranças memoráveis da minha mãe, que fazia desse jeitinho as pomonhas que ficava com um gosto incomparável! Ainda hoje quem faz é minha irmã deliciosas mas não como as da minha mãe. ..

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    1. Nossas memórias afetivas tornam ainda mais doces essas lembranças, como é bom poder relembrar e quase sentir o gosto, o cheiro e toda a experiência que a comida pode nos proporcionar, seja ela simples ou sofisticada, o afeto contido no preparo e as reuniões em torno do fogão ou da mesa são sabores inesquecíveis. Abs.

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