segunda-feira, 20 de abril de 2015

Documentários recentes em nosso giro "food film" da semana.

Na semana que passou indicamos em nossa fanpage alguns documentários recentes que têm feito parte de Festivais de Cinema pelo mundo, a maioria deles tem como tema as cadeias produtivas, a agricultura familiar em pequena escala em contraposição as grandes empresas do setor alimentício e trazem também a relação do homem com a agricultura e a natureza, os organismos geneticamente modificados e o impacto de tudo isso para nossa saúde. Vale lembrar que todos esses filmes fazem parte de uma extensa lista divulgada em nosso blog, para saber mais é só acessar "filmes que são uma delícia".

Os documentários a seguir são filmes para provocar reflexões e em algumas situações até mudanças de hábito. Tratam-se de produções realizadas nos EUA, Reino Unido, França, Holanda, Bélgica, Áustria e Canadá, algumas delas dão destaque para a produção de alimentos na América Latina, passando pelo Brasil inclusive, motivo para darmos mais importância para as questões da terra, meio ambiente e produção agrícola do nosso país, pois apesar de há 500 anos, quando dos descobrimentos, Pero Vaz de Caminha ter relatado em sua carta ao El Rei Dom Manual que «Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro e Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!» sabemos que não é bem assim, que a terra em alguns lugares já dá sinal de fadiga e uma vez exaurida sua recuperação pode ser um grande problema para todos. 

Não tem como assistir a documentários do gênero e olhar igual para um prato de comida ou fazer de conta que não temos nada a ver com as questões e problemas apontados. O planeta é um organismo vivo, cada atitude nossa interfere em nosso entorno e ecossistema refletindo em outros lugares como "efeito borboleta".



“Eating Alabama” filme de Andrew Grace (EUA, 2012) conta a história de um jovem casal  que em busca de uma vida mais simples retorna para casa no Alabama e passa a se alimentar como faziam seus avós – com produtos locais e alimentos sazonais. Mas como sua nova dieta os obriga a navegar no complexo gastronômico agroindustrial, eles logo percebem que quase tudo no sistema alimentar mudou em relação àqueles agricultores que povoaram suas histórias de família. Um arranjo bem planejado e muitas vezes engraçado em comunidade. "Eating Alabama" é uma história sobre questões alimentares.


“Enjoy Your Meal” How Food Changes the World do cineasta Walther Grotenhuis (Holanda e Bélgica, 2010). O diretor do documentário relembra os domingos de sua infância, dia em que sua família comia carne no almoço. Algumas décadas mais tarde, o domingo já não é a ocasião especial como era naquela época,  pelo contrário: graças à globalização, hoje é possível comer o que quisermos, sempre que quiser, independentemente da época e com preços mais baixos. Mas a que custo? Quais são as consequências? Embora uma única refeição deliciosa é preparada numa cozinha holandesa ao longo do filme, Grotenhuis segue o caminho dos ingredientes, traçando uma rota que mostra os efeitos da produção dos alimentos no seu ambiente de origem. Isso o traz aqui para o Brasil, onde o desmatamento em massa necessário para o cultivo da soja tem um grave impacto sobre a vida de uma tribo indígena local. Segue para as Filipinas, onde o crescimento explosivo do número de fazendas de camarão não deixa espaço para o pescador local. E depois, no Quênia, mostra o cultivo de feijão verde com problemas graves de irrigação. Seguindo os passos de filmes como Food Inc., We Feed the World, e Our Daily Bread, ele aproveita sua refeição para questionar a atual indústria de alimentos, sem condená-la, mas... sem rodeios.


“Les plancher des vaches” de Anaïs Barbeau-Lavate e Émile Proulx-Cloutier (Canadá, 2015) é um documentário que traz a história de três adolescentes de 15 e 16 anos, Pascale, Raphael e Celeste que vão conhecer juntos o esplendor da natureza no coração de uma fazenda. Lugar onde a terra seca segue o curso e os segredos de três adolescentes que enfrentarão seus limites e descobrirão o sentido da ligação com a terra, aprendendo a viver ao ritmo dela e dos animais. Esses adolescentes, como quaisquer outros, viverão os primeiros flertes, o primeiro luto, os vínculos familiares enfraquecidos, etc.. Mas, como vivem no campo, frequentarão uma escola muito especial na região leste do Canadá, lugar onde aprendem sobre as cadeias produtivas locais, o comércio oriundo daquela terra e da agricultura familiar. Segundo o casal de diretores, o filme quer transmitir a paixão pela agricultura.


“Food Matters” de James Colquhoun e Carlo Ledesma (EUA, 2008) é um documentário que confronta a medicinal tradicional com a ortomolecular, a medicina baseada na nutrição. Mostra quão equivocada está a nossa maneira de tratar as doenças. O filme traz também o ciclo vicioso da agricultura extensiva, que diminui muito os nutrientes do solo, gerando plantas mais frágeis aos ataques de pestes, necessitando a aplicação de pesticidas, que as contaminam, que acabam envenenando quem as come, que se tornará mais fraco e buscará medicamentos. A perda de nutrientes pelo envelhecimento da comida através do transporte e pela própria carência de minerais do solo e o processo de cozimento dessa comida, que acaba com os elementos essenciais para a vida, contribui ainda mais para esse terrível quadro nutricional. Nessa história, os únicos que ganham são as indústrias químicas e farmacêuticas, que contam com a desinformação da sociedade. A temática é debatida nutricionistas, médicos e jornalistas com a seriedade que o tema requer. (fonte: Docverdade


“We feed the world" de Erwin Wagenhofer (Austria, 2005) é um documentário que lança olhar sobre como a comida do mundo é produzida e como a produção em massa muda o ambiente e a vida das pessoas. Todos os dias em Viena parte do pão produzido para venda é devolvido para descarte, quantidade suficiente para suprir a segunda maior cidade da Áustria, Graz. Cerca de 350 mil hectares de terras agrícolas, sobretudo na América Latina, são dedicados ao cultivo de soja para alimentar o gado da Áustria, enquanto um quarto da população local passa fome. Cada europeu come 10 kg de hortaliças por ano que vêm de estufas irrigadas artificialmente no sul da Espanha, com isso o resultado é a escassez de água.  Neste documentário o cineasta austríaco Erwin Wagenhofer traça as origens dos alimentos que comemos. A jornada o leva para a França, Espanha, Romênia, Suíça, Brasil e de volta para a Áustria. Com imagens inesquecíveis, o filme fornece insights sobre a produção dos nossos alimentos e responde a pergunta: - O que a fome no mundo tem a ver conosco?


"Vers un crash alimentaire" de Yves Billy e Richard Prost (França, 2008). A turbulência financeira mundial pela qual estamos passando tem ofuscado os sinais de uma nova crise: a da escassez de alimentos em geral. Para dar a entender como isso pode acontecer e para nos alertar sobre essa crise o documentário examina o sistema alimentar atual. Os diretores investigaram o tema na Europa e entrevistaram muitos especialistas em agricultura e agronegócio, viajaram para fazendas produtoras de cereais na Argentina, Estados Unidos e da China e pesquisaram o processo de aceleração urbana. O filme usa como exemplo a produção do milho e da soja, produções que nos permitem entender porque demandas agrícolas estão em ascensão enquanto a oferta diminui. Será que somos capazes de mudar o curso desta catástrofe anunciada?


 “Vanishing of the Bees" de Maryam Henein e George Langworthy (Reino Unido, 2009) traz a história das abelhas que estão desaparecendo misteriosamente em todo o planeta, literalmente desaparecendo de suas colméias. Conhecido como Colony Collapse Disorder, este fenômeno tem quebrado apicultores e levado à crise a indústria responsável pela produção de maçãs, brócolis, melancia, cebola, cerejas e uma centena de frutas e outros legumes. A polinização feita pelas abelhas é responsável por um em cada três tipos de alimentos que estão em nossa mesa. Filmado nos EUA, na Europa, Austrália e Ásia, este documentário examinou o alarmante desaparecimento das abelhas e o resultado que isto tem sobre a humanidade. A causa é um enigma para os cientistas, os apicultores orgânicos indicam alternativas e possíveis razões para esta perda trágica, mas os resultados conflitantes abundam depois de anos de pesquisa. Uma resposta definitiva ainda não foi encontrada, o que faz deste mistério algo angustiante.


Em "GMO, OMG" (EUA, 2013) o diretor e pai preocupado Jeremy Seifert está em busca de respostas. Como os organismos geneticamente modificados - OGM - afetam nossas crianças, a saúde do nosso planeta e nossa liberdade de escolha? E, talvez, a questão fundamental que Seifert levanta é: será possível até mesmo rejeitar o sistema alimentar atualmente em vigor ou teremos que abrir mão de algo? Estas e outras questões levam Seifert a uma viagem iniciada na mesa de sua família, seguindo pelo o Haiti, Paris e Noruega, chegando ao saguão da agrogigante Monsanto, local do qual sem muita cerimônia ele seria retirado. Ao longo desse percurso o diretor tenta ter uma visão sobre uma preocupação crescente para os cidadãos de todo o mundo: O que está em seu prato?


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