domingo, 15 de fevereiro de 2015

Doçuras pelo mundo: Pastéis de Belém.

(Imagem manipulada a partir de foto do Google Imagens)

Hoje resolvi falar dos famosos Pastéis de Belém ou pastéis de nata. Já aviso, os doces portugueses são muito doces mas isso é uma questão cultural que está diretamente ligada à produção açucareira das ex-colônias portuguesas já há alguns séculos.

Provei alguns doces em Lisboa, Sintra, Coimbra, Porto e em outras partes do país durante o período em que vivi em Portugal e muitas foram as vezes em que não consegui comer o doce todo, mas isso não quer dizer que não sejam deliciosos. Além do açúcar eles usam e abusam dos ovos... em especial das gemas, já que as claras tinham outro destino.

(...) com tanta clara sendo exportada para países europeus produtores de vinho, como França, Espanha e Itália, qual seria o destino das gemas? A quantidade de matéria-prima, aliada à fartura do açúcar que vinha das colônias, se transformou em inspiração para o surgimento de experimentos doceiros à base de gema de ovos realizados pelas cozinheiras dos conventos. Não por acaso, muitos nomes de doces portugueses são inspirados na fé católica: argolas da abadessa, barrigas de freira, beijo de frade, fatias celestes, farrapos do céu, manjar celeste, orelhas de abade, palmas de abade, papos de anjo, queijos do paraíso, toucinho do céu e o pão de ló – uma homenagem a Ló, sobrinho de Abraão, salvo por anjos de Gomorra às vésperas da destruição da cidade pela ira de Deus. Em 1752, durante o reinado de D. José I (1714-1777), o Regimento dos Confeiteiros – regulamento que determinava princípios e orientações para confeiteiros e doceiros de Portugal – já citava alguns desses quitutes. (...) (leia aqui o texto na íntegra)

Mas voltando aos Pastéis de Belém, provei alguns destes durante minha estada em terras lusas e apesar da fila para provar o mais famoso deles, o preparado pela Fábrica dos Pastéis de Belém (próximo ao Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém em Lisboa), os que provei em outras localidade portuguesas não deixaram nada a desejar e são tão bons quanto o primeiro.

Segundo consta, o Pastel de Belém surgiu no início do Século XIX, em Belém. Junto ao Mosteiro dos Jerónimos, laborava uma refinação de cana-de-açúcar associada a um pequeno local de comércio variado.

Como consequência da revolução Liberal ocorrida em 1820, são em 1834 encerrados todos os conventos de Portugal, expulsando o clero e os trabalhadores.

Numa tentativa de sobrevivência, alguém do Mosteiro põe à venda nessa loja uns doces pastéis, rapidamente designados por "Pastéis de Belém".

Na época, a zona de Belém era distante da cidade de Lisboa e o percurso era assegurado por barcos de vapor. No entanto, a imponência do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém, atraíam os visitantes que depressa se habituaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro. 

Em 1837, inicia-se o fabrico dos "Pastéis de Belém", em instalações anexas à refinação, segundo a antiga "receita secreta", oriunda do convento. Transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente, na "Oficina do Segredo". Esta receita mantém-se igual até aos dias de hoje.

De facto, a única verdadeira fábrica dos "Pastéis de Belém" consegue, através de uma criteriosa escolha de ingredientes, proporcionar hoje o paladar da antiga doçaria portuguesa. (Fonte: Pasteis deBelém).

Ficou com vontade né? Mas para provar um desses com sabor original só pegando um vôo para Lisboa ou pedindo a uma doceira portuguesa ou descendente de portugueses que o faça, porque os que são vendidos por aí em padarias e naquela rede de comida árabe não chegam nem aos pés do verdadeiro. Há coisas que só a tradição pode nos proporcionar, por isso a importância de respeitá-la e repassá-la às gerações futuras e isso vale para os "nossos" doces típicos brasileiros. Mais isso é assunto para outro post.


Próxima doçura: Roscón de Reyes (Espanha).

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