quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O sabor e aroma do Café para começar o ano.

(Alguns cafés mundo afora - Fotos: Meg Mamede)

O ano novo começa no melhor estilo slow motion, aquela preguiça gostosa que faz com que os dias sejam mais longos e arrastados, por vezes até sofríveis por conta de sairmos das férias direto para a realidade dura do trabalho e para a fast life na qual nos metemos. Momento em que as ideias se misturam entre o velho e novo e por mais pragmáticos que sejamos é inevitável nos deixarmos levar por alguns devaneios e desejos de um ano diferente e melhor daquele que deixamos para trás. Verdade seja dita, no fundo sabemos que não há mágica na virada do ano e que todas essas mudanças e metas desejadas só serão alcançadas por meio de atitudes e ações concretas exercidas ao longo de um ano inteiro e em alguns casos, de uma vida inteira.

Mas onde entra o café nessa história?

O café entra na minha história pessoal, afinal esta aqui é a minha Cozinha. Contudo, acredito partilhar de um gosto quase universal, um hábito que pode fazer toda a diferença quando nos sentimos sem energia ou com aquela dorzinha de cabeça pós refeição. O café tem propriedades fantásticas e resultados benéficos, é inegável o poder que a cafeína exerce sobre nós.  Eu sou fã, por isso resolvi abrir o ano exaltando a bebida dos mortais e não a dos Deuses.

O café é uma bebida apreciada no mundo todo, alguns povos consomem mais, outros menos, eu já contei um pouco sobre ele aqui quando postei uma receita deliciosa de mousse de café. Grão que já foi considerado “ouro” para algumas economias, inclusive para o Brasil do século XIX e que segundo Celso Furtado, marcaria o período ganhando grande importância na metade daquele século, constituindo-se logo no principal produto de exportação do Brasil, chegando quase a preencher toda a pauta de exportação, sua importância para a economia brasileira duraria quase cem anos, avançando pelo século XX e tornando rica a elite agrícola do sudeste do país.

Deixando a história para outra hora, meus primeiros dias do ano foram regados por muitas xícaras de café, o pretinho básico capaz de me levantar até nos dias mais quentes, me manter acordada nas noites em que precisei estar afiada para terminar textos ou coisa do gênero, mais que isso o café fez parte da minha infância, tendo eu nascido em uma família com origens no Vale do Paraíba no interior de SP, o café era bebida constante em nossa casa. Que vinho que nada! O feijão com arroz, as farofas e virados eram harmonizados com um copo de café fresco e puro, combinação que aprendi a gostar com meu saudoso pai, o Sr. Mamede. Esse hábito gerou passagens engraçadas em nossa casa, como quando nossos amiguinhos ficavam para almoçar conosco e pensavam que aquela bebida negra servida em copos de vidro tratava-se de algum tipo de refrigerante à base de Cola e ao beberem a cara que faziam era de total surpresa e decepção e nós nos divertíamos com isso.

Já provei muitos cafés pelo Brasil e outras partes do mundo, mas o que mais gosto é o café coado em coador de pano, como minha mãe ainda faz, acredito que seja algo realmente afetivo que me remete à família e à minha criação. E por falar em família, estive em SP no Natal e aproveitei para trazer alguns livros que havia deixado lá, entre eles “Aroma de Café: guia prático para apreciadores de café” de Luís Norberto Pascoal” e “O Palácio do Café” uma publicação da BM&F que conta a história do Palácio do Café situado em Santos-SP, linda edificação que tive o prazer de conhecer em 2010 em uma visita à cidade.

Para terminar recomendo aos apreciadores e interessados no tema assistirem o documentário “Black Gold” de Marc Francis & Nick Francis (2006) que mostra a realidade da produção do grão na Etiópia, país de origem do café e aos episódios da série “Dangerous Grounds” filmados por Todd Carmichael mundo afora (2012-).

Então... Que tal um cafezinho?

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