sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O Vale do Paraíba "No fundo do tacho".



Só quem teve algum contato com a vida no campo sabe o que é um tacho. Muitas vezes nos grandes centros urbanos me surpreendo com pessoas, em especial jovens e crianças, que não conhecem as plantas, as árvores e seus frutos, tão pouco saberiam o que um tacho. Mas isso não é uma crítica, afinal tudo gira em torno das escolhas e não podemos ter tudo, em especial quando somos crianças e adolescentes e dependemos das escolhas dos nossos pais.

Por sorte nasci no seio de uma família com origens no Vale do Paraíba interior de São Paulo, e desde muito cedo tive contato com a natureza e todo o modo rústico do campo, e... quando falo isso não me refiro a uma casa de veraneio ou um chalé de madeira nas montanhas, me reifro a uma casa simples feita de adobe e sapé, que mais tarde recebeu alvenaria e telhado, lugar onde as camas eram feitas da árvore da canela, a água era de bica guardada em postes de cerâmica que a mantinha fresca e limpa, onde a única luz era do sol ou dos lampiões a querosene... o chão de terra batido era varrido com vassouras feitas de alecrim do mato ou outra folha resistente, o banheiro podia ser, com sorte, uma casinha externa com um buraco no chão ou a moita mais próxima.


Ah! Mas eram tantas frutas, flores, peixinhos e pitús, que passar os fins de semana na casa da vó da Bica, a vó Maria, era tudo que esperavamos. Na temporada do milho, ajudávamos a colher o milho, limpá-lo, alguns até viravam bonequinhas de cabelos loiros e ruivos, mas a maioria ia parar nos nossos buchos, especialmente quando a vó preparava aquelas doces e deliciosas pamonhas feitas na folha de caeté... e foi justamente por conta dessa lembrança que acabei por encontrar a publicação que indico hoje.


Descobertas à parte, este livro não pode faltar na minha biblioteca, afinal ele traz receitas originais da terra dos meus pais e avós... o Vale do Paraíba em SP. Terra do caipira, do bandeirante, do índio, e muitos que vivendo lá deram sua parcela de contribuição para nossa cultura. 


"No fundo do tacho" do culinarista caipira João Rural, é um livro que traz a cultura caipira através de 270 fotos e 120 receitas antigas. O autor se preocupou em apresentar as comidas caipiras nas condições naturais, fugindo da mesmice de pratos arrumadinhos que estamos acostumados a ver em revistas e cadernos especializados em culinária. A ideia é mostrar a comida caipira, como o caipira faz e serve no seu dia a dia. (fonte: Lince)


No livro ele fala do uso da folha do caeté no lugar da folha da bananeira para execução de alguns pratos, como minha vó usava para fazer a pamonha. Ainda me lembro dela ralando o milho e preparando aquele suco para ser cozido em pequenos arranjos com as folhas do caeté que davam em abundância na beira do riacho que passava lá no sítio. 
Nossa... sinto até o gosto dessa iguaria. Saudades!


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