terça-feira, 22 de julho de 2014

O mundo na cozinha - História, identidade, trocas.



“A comida é uma forma de conexão entre diversas culturas. Conservadoras, embora nada estáticas, as tradições alimentares e gastronômicas são extremamente sensíveis às mudanças, à imitação e às influências externas. Cada tradição é o fruto – sempre provisório – de uma série de inovações e das adaptações que estas provocaram na cultura que as acolheu”, afirma o professor de história da alimentação da Universidade de Bolonha (Itália), Massimo Montanari. Essa é a essência de O Mundo na cozinha: história, identidade, trocas (Editora Senac São Paulo e Estação Liberdade). O livro investiga o fluxo de ideias que influenciou a construção de identidades culinárias, além de explicar e reconstituir os percursos das trocas entre diferentes sociedades.

Fruto de uma conferência realizada na Universidade de Bolonha, em outubro de 2000, a obra traça um vasto panorama do intercâmbio gastronômico e cultural no mundo, especialmente, na Europa, Ásia, África e Américas. Em oito textos, especialistas estrangeiros em história, antropologia e sociologia mostram como a alimentação se equipara a linguagem, criando intersecções entre diferentes povos. Os artigos debatem também como a comida auxilia na intermediação entre culturas, proporcionando invenções e contaminações, e, mostram porque as identidades mais fortes são aquelas mais abertas ao exterior. “O livro discute como o mundo e sua diversidade está presente na cozinha de todos”, diz Montanari.

Para demonstrar essa tese, no artigo de abertura, o professor italiano dá como exemplo a cultura europeia da Idade Média. Segundo o historiador, a civilização que surge na Europa, naquela época, é fruto da combinação da tradição romana com a tradição germânica: ao uso do pão, vinho e azeite soma-se a utilização da carne, da cerveja e da gordura animal. “Deriva daí um modelo inédito de produção e de consumo, onde a carne (principalmente a carne de porco) desafia o pão como ‘valor forte’ do sistema, numa dinâmica de integração recíproca, tanto econômica quanto simbólica, que representa, em minha opinião, um dos episódios mais interessantes da história da cultura alimentar”, avalia ele. 

(Fonte: Estação Liberdade)

Livro: O mundo na cozinha - História, identidade, trocas

Organizador: Massimo Montanari

Tradução: Valéria Pereira da Silva

Editora: Senac-SP e Estação Liberdade

Ano: 2009

Sinopse: 

Se nos basearmos na informação de que a cozinha tem sido equiparada à linguagem, nesse livro o leitor irá viajar entre vocábulos (ingredientes) organizados pelas regras de gramática (as receitas), de sintaxe (o cardápio) e de retórica (comportamento de convívio), numa analogia que não funciona apenas no plano técnico-estrutural, mas também para os valores simbólicos de ambos. Historiadores, antropólogos e sociólogos ainda discutem aqui o papel da cozinha como instrumento definidor da identidade cultural.

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