sexta-feira, 18 de julho de 2014

Memórias afetivas.

(Goiabeira - Google imagens)
"Uma das sedes de nostalgia da infância, e das mais profundas, é o céu da boca. A memória do paladar recompõe com precisão instantânea, através daquilo que comemos quando meninos, o menino que fomos. O cronista, se fosse escrever um livro de memórias, daria nele a maior importância à mesa da família, na cidade de interior onde nasceu e passou a meninice.

A mesa funciona como personagem ativa, pessoa da casa, dotada do poder de reunir todas as outras, e também separá-las, pelo jogo de preferências e idiossincrasias do paladar - que digo? da alma, pois é no fundo da alma que devemos pesquisar o mistério de nossas inclinações culinárias."

(Carlos Drummond de Andrade em "A bolsa e a vida" livro publicado em 1962)


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