quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Em contagem regressiva para férias!



Caro(a) visitante, 

Nosso blogue e Fanpage darão uma paradinha, retornaremos na segunda semana de janeiro. Vamos tirar umas férias, sim esta blogueira aqui vai aproveitar o frio no hemisfério norte, experimentar pratos novos, talvez fazer aulas de cozinha, viajar pelos mercados locais, provar bebidas típicas e comer muito claro, afinal comer é sempre uma viagem! Na volta novidades, dicas e muita história para contar. 

Boas festas a todo(a)s e um 2018 recheado de alegrias e realizações!



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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Obra de Câmara Cascudo leva a história da alimentação brasileira para tv.



Hoje estreia no Cinebrasil TV (SKY 157) a série documental "História da Alimentação no Brasil" da qual já falei no meu outro blogue o Cinema e Alimentação e que em seu primeiro episódio dará destaque para mandioca "A Rainha do Brasil".

Produzida pela Heco Produções e dirigida por Eugenio Puppo, baseada no livro homônimo de Luís da Câmara Cascudo, lançado em 1967. Com 13 episódios de 30 minutos, a série vai ser exibida no canal pago Cinebrasil TV. O livro, um vigoroso tratado de 900 páginas, comemora 50 anos de lançamento em 2017 e é até hoje o maior registro histórico e sociológico sobre a culinária brasileira. Dividida em duas partes, a obra faz um minucioso levantamento das tradições alimentares brasileiras, fruto da miscigenação entre povos originários do Brasil, da população africana escravizada e dos portugueses.

Dividida em duas partes, a obra faz um minucioso levantamento das tradições alimentares brasileiras, fruto da miscigenação entre povos originários do Brasil, da população africana escravizada e dos portugueses. Aborda desde a aclimatação da doçaria portuguesa no Brasil com ingredientes nacionais, passando pelo processamento da farinha de mandioca, até o óleo de palma trazido pelos portugueses, feito com técnicas africanas.

Cascudo viajou pelo Brasil de 1943 a 1962, entrevistou ex-escravos, pessoas nas feiras, especialistas, donas de casa, visitou casas de brasileiros de todos os tipos, estudou a cultura indígena, debruçou-se sobre uma bibliografia extensíssima e foi à África conhecer as origens de vários dos nossos pratos. Através dessa pesquisa de fôlego, ele descobriu de onde vieram certos ingredientes, utensílios, temperos, receitas, e entendeu, pelas tranças históricas e geográficas, como foi se formando nossa cultura à mesa.

Seguindo os passos de Cascudo, a equipe da série também viajou por diversas cidades do país, conversando com todo tipo de gente. Entre os estados visitados estão Bahia, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Pernambuco. Esteve em 11 cidades portuguesas, como Lisboa, Porto, Évora e Mirandela, em busca das raízes dos modos de alimentação, retratando desde a doçaria conventual (como os pastéis de Tentúgal), as Tripas à moda do Porto e os Cuscos transmontanos.

A série História da Alimentação no Brasil segue a sequência de capítulos do livro, e, com uma edição ágil, traz depoimentos de diversos personagens brasileiros: chefs, artistas, estudiosos e personagens anônimos de diversas regiões do Brasil e de Portugal, compondo um perfil tão profundo quanto saboroso da cultura brasileira e da formação da nossa identidade. Entre os entrevistados estão Carlos Alberto Dória (sociólogo), Mara Salles (chef), Ana Luiza Trajano (chef), Alberto da Costa e Silva (historiador), Chico César (cantor), José Avillez (chef), entre outros. Os 13 episódios da primeira temporada da série são uma tradução visual do próprio tema do livro. Além do material original, a série utiliza um rico material de arquivo, com filmes raros e alguns inéditos, como longas e curtas-metragens de Humberto Mauro, Heinz Forthmann, Caravana Farkas, acervos do Instituto Câmara Cascudo, CTAV, Museu do Índio, Cinemateca Portuguesa, Câmara Municipal de Lisboa e acervos particulares.

Assim como o autor elegeu no livro ingredientes essenciais ou aspectos culturais determinantes e dedicou capítulos específicos a cada um deles, a série segue o mesmo conceito. Os entrevistados nos mostram por vários pontos de vista como a comida é um personagem ativo, com história, participante das relações sociais. No episódio 1 – A Rainha do Brasil, por exemplo, a série defende a tese de Cascudo de que a mandioca, um dos primeiros alimentos citados nos registros portugueses, é um ingrediente soberano. Um narrador pontua os episódios com informações históricas na forma de trechos breves do livro e as cenas são entremeadas por imagens de feiras brasileiras icônicas, preparação de pratos, reproduções de livros, pinturas, trabalhos artísticos e fotos antigas. A trilha sonora, criada especialmente para a série, abarca uma multiplicidade enorme de ritmos africanos, brasileiros e portugueses, misturando referências tradicionais e contemporâneas.

Constam como principais apoiadores da série: Instituto Ludovicus – Luís da Câmara Cascudo, Centro Técnico Audiovisual (CTAV), Cinemateca Portuguesa e TV Cultura.

A série traz depoimentos de diversos personagens brasileiros, chefs, artistas, estudiosos e Veja o trailer a seguir e acompanhe os episódios na programação do Cinebrasil TV.

(Fonte: Essência Studio)





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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Jantar a quatro mãos em Vila Velha, ES.

(Fred Gerlach, eu e nosso menu do jantar)
Se viajar já é um prazer, imagine poder cozinhar para amigos e passar horas deliciosas em companhia deles. Foi o que aconteceu durante nossa estada em Vila Velha no Espírito Santo em julho deste ano.

Estivemos por uma semana visitando amigos e numa dessas noites resolvemos preparar um jantar, eu e o sobrinho do compadre, o jovem estudante de gastronomia Frederico Gerlach, que viajou de Curitiba pra lá na mesma época que nós. 

Pensamos no cardápio e fomos pro mercado, quando nossos anfitriões chegaram em casa já estávamos a todo vapor na cozinha e logo serviríamos o jantar que teve no menu: de entrada palmito pupunha grelhado, servido com cebola caramelizada e um azeite aromatizado; seguido de risoto de alho poró acompanhado de mignon com manteiga aromatizada; de sobremesa servimos peras cozidas no vinho e cardamomo com sorvete de creme. Acompanhou vinho tinto português e um moscatel nacional do Vale dos Vinhedos, RS, para a sobremesa. 


Foi muito divertido cozinhar com o Fred, a sintonia foi muito boa resultando num jantar saboroso que agradou a todos, quebrando tabus de sabor, rolando até repeteco.

A mesa é de fato a primeira rede social que sem tem conhecimento, é nela que os amigos e a família se encontram e a vida acontece.

Um brinde por mais momentos como esse!

Quanto às receitas, não há muita novidade a não ser a entrada pensada pelo talentoso Fred que sofreu alguma adaptação mas ficou ótima. Então se você quiser preparar o risoto aqui no site tem algumas variações (de funghi secchi, de pinhão com linguiça Blumenau, de abobrinha com carne seca, de gorgonzola com nozes e pera, etc.) é só usar a criatividade. 

Para o mignon não tem segredo o importante é um bom corte, aliás um aparte aqui, fui muito bem atendida no açougue do supermercado Carone de Vila Velha, o açougueiro cortou a peça e acondicionou com filme plástico todos os medalhões cortados facilitando muito nossa vida na hora do preparo, tempere apenas com sal e pimenta do reino moída na hora só na hora de grelhar, aquecendo muito bem a superfície que irá usar para isso (veja receita mignon e manteiga). Já a sobremesa você encontrará a receita aqui, a diferença é que para este jantar optamos pelo vinho branco e cardamomo no lugar do canela e cravo.

(Palmito pupunha grelhado servido com cebolas caramelizadas e azeite aromatizado)


Para entrada com palmito pupunha grelhado e acompanhamentos você vai precisar de:

Ingredientes:

1 peça grande de palmito pupunha in natura.
Azeite extra virgem
Sal
Pimenta do reino moída na hora  
½ k de cebolas (preferencialmente roxa)
½ copo americano de vinho tinto (ou cerveja escura se preferir)
Açúcar (para o caso de usar vinho e a cebola ficar ácida)
Erva aromática de sua preferência (usamos hortelã)

Modo de preparo:

Retire a parte dura do palmito com cuidado, corte ao meio e depois ao meio novamente, deixando num formato de canoa. Tempere com sal e pimenta do reino moído na hora a gosto, disponha numa assadeira (forma) com azeite e deixei assar por uns 40 minutos em forno a 180 graus. Verifique a maciez antes de desligar, se precisar deixe mais uns minutos, mas não deixe passar muito pois será finalizado preferencialmente numa chapa ou panela tipo grelha.  Enquanto assa seu palmito corte as cebolas em rodelas bem finas, coloque-as em uma frigideira com um fio de azeite em fogo baixo, mexa-as para soltar os finos aros, depois que começarem a murchar coloque umas pitadas de sal e mexa mais um pouco e deixe até fiquem mais douradas, em seguida coloque aos poucos o vinho tinto (ou a cerveja escura) e mexa deixe ir reduzindo, prove e caso sinta muita acidez acrescente um pouco de açúcar para equilibrar depois mexa para misturar. Deixe reduzir, desligue e reserve. Esquente bem a grelha e coloque um pouco de azeite para untar, disponha o palmito pupunha no sentido contrário dos riscos (saliências da grelha), depois use um pegador e vire o palmito para grelhar do outro lado também. Pique bem miúdo a erva aromática escolhida e misture ao azeite, faça isso antes dos outros preparos assim o azeite ficará mais perfumado. Para montagem use um prato raso pequeno com o palmito ao centro, disponha a cebola ao lado ou como preferir, depois finalize com umas gotas ou se com alguns riscos de azeite aromatizado. Dica: a ideia inicial do chef Fred Gerlach era de fazer uma entrada tipo mil folhas, para isso o palmito seria cortado em rodelas (com um mandolin) da mesma espessura e que pudessem ser assadas e/ou grelhadas, montando depois com a cebola caramelizada e finalizando com o azeite aromatizado.

Tempo de preparo: 1,30 (contando com o tempo de forno para o palmito)

Rendimento: 6 pessoas

Dificuldade: Fácil


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