quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sobre receitas à base de tilápia.

(Turma da Oficina "Cozinha Tradicional Revisitada" - Cruz Machado, PR / Foto: Sueli Garbsk - Ascom PMCM)

Há quase um mês atrás tive o prazer de retornar à Cruz Machado, cidade localizada no interior do Paraná a cerca de 300 km da capital para atividades durante a 2ª Feira Gastronômica da localidade, iniciativa da Secretária de Educação e Cultura do munícipio.

(Pratos preparados durante oficina - Fotos: Sueli Garbsk)
De volta com a Oficina “Cozinha Tradicional Revisitada” e como em 2015 quando utilizei o pinhão, desta vez optei por receitas com base na tilápia (conhecido também por Saint Peter) peixe de água doce muito cultivado e consumido na região e em todo o estado do Paraná.

Região muito peculiar onde as etnias polonesa, ucraniana e alemã são destaque por conta da tradição de imigrantes que colonizaram aquela parte do estado, por isso apresentar receitas eslavas ou de origem germânica que são especialidades locais executadas há anos e com maestria por sua gente não seria nenhuma contribuição relevante, por isso optei pela valorização dos produtos locais e sazonais preparando três receitas que todos degustaram ao final.

Foram três pratos: um ceviche de entrada (prato de origem peruana), seguido de um prato principal com tilápia grelhada servida com purê de batata e queijo gorgonzola e molho de manteiga, mel e amêndoas tostadas e por último uma opção de pestisco, um bolinho de tilápia servido com molho de mostarda e mel (que também pode ser cozido como almondegas no molho de tomate para acompanhar uma massa).

Vamos às receitas pois prometi que publicaria aqui no blogue, aliás foi uma turma muito especial que me ajudou muito durante os preparos e montagem dos pratos, especialmente as queridas Rose e Cilene.

(Ceviche preparado em casa e degustado pelo marido - Foto: Rogério Oliveira)
Entrada: Ceviche

Ingredientes:

300g de filé de tilápia
2 limões (usei o Taiti)
2 laranjas (usei laranja Pera)
2 cebolas roxas grandes
1 pimenta dedo de moça grande
1 pedaço de gengibre
½ maço de coentro (ou salsa)
Sal a gosto
*gelo (necessário em dias quentes para preservar o peixe em baixa temperatura)

Modo de preparo:

Corte a tilápia em cubos ou tiras iguais não muito grandes e reserve (caso esteja calor, deixe o peixe cortado num recipiente sobre o gelo). Corte a cebola em fatias bem finas, em seguida descasque, rale ou pique o gengibre, retire a semente da pimenta dedo de moça e pique (dica: não pique a pimenta muito miúda para poder ser retirada por quem tenha problema com pimenta). Misture tudo com a tilápia, acrescente o suco dos limões e das laranjas (a laranja tem a função de diminuir a acidez do limão que por vezes pode deixar o ceviche muito azedo), acrescente as folhas de coentro previamente lavadas e secas, se preferir substitua o coentro por salsa mas o gosto será outro, salgue a seu gosto e deixe na geladeira até a hora de servir. Vale lembrar que a tilápia é um peixe de água doce e portando menos salgado que o robalo peixe de água salgada e também utilizado para o preparo do ceviche (entre outras opções), por isso prove o ceviche e corrija o sal conforme sua preferência.

O ceviche tradicional consumido no Peru ou servido em restaurantes peruanos são acompanhados de outros alimentos como o milho (maiz) e/ou a batata doce (papa Dulce ou camote), por isso é comum encontramos variações da receita em blogues e sites culinários, escolha a sua opção e aproveite essa deliciosa e refrescante entrada.

Tempo de preparo: 40 minutos

Rendimento: de 6 a 10 porções (depende da proposta)

Dificuldade: Fácil

(Tilápia grelhada preparada em casa - Foto: Rogério Oliveira)

Prato principal: Veja aqui a receita da tilápia grelhada servida com purê de batata e queijo gorgonzola e molho de mateiga, mel e amêndoas tostadas (ou castanhas do Pará).

(Bolinhos de tilápias preparados em casa - Foto: Rogério Oliveira)



Para as almôndegas ou bolinho de tilápia acesse a receita de almôndegas aqui e substitua a carne moída por tilápia moída ou picada, no caso de servir com molho de mostarda e mel é só fritar os bolinhos, já para acompanhar um espaguete as almôndegas poderão ser cozidas no molho de tomate como as da receita indicada aqui no blogue.

Ingredientes para o molho de mostarda: 1 laranja, mel a gosto e mostarda Dijon (ou molho de mostarda da sua preferência), sal. Modo de preparo: Para mostarda Dijon que é mais forte e concentrada coloque duas colheres de sopa cheia, acrescente o suco de uma laranja e duas colheres de sopa cheias de mel, misture bem e leve ao fogo baixo para reduzir. Deixe esfriar e sirva como acompanhamento dos bolinhos fritos, como os da foto.




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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Novos e deliciosos livros na nossa biblioteca.

Ando meio ausente né? Mas é por bons motivos. Nos últimos meses tenho corrido de lá para cá por conta da fase de captação de recursos para a Mostra Internacional de Cinema "Nossa Terra": Cultura e Alimentação, realização que teve inicio neste blogue e por conta da infinidade de filmes sobre alimentação que eu encontrava e comentava aqui, muitos que nunca veremos nos cinemas brasileiros, mas que por conta da internet, canais pagos e Netflix poderão ser apreciados por quem gosta do tema, e também em festivais e mostras de cinema como a nossa. São food e wine filmes produzidos nos quatros cantos do planeta e aqui no Brasil também. Se quiser saber mais acesse meu outro blogue especializado nessa temática o Cinema e Alimentação.

Estive também participando pela segunda vez da Feira de Gastronomia de Cruz Machado com a Oficina "Cozinha tradicional revisitada", em breve postarei aqui as receitas da sequência de pratos com base de tilápia que apresentei na 2ª Feira Gastronômica de Cruz Machado, entre as receitas estão uma entrada, um prato principal e um petisco. 



Mas agora vim pra falar de uns livros, deliciosos presentes que ganhei do marido nos últimos dias, são três títulos que recomendo. O primeiro para quem quer conhecer um pouco mais da mundialmente celebrada cozinha peruana, já os outros dois são para aqueles que buscam receitas práticas e saudáveis para o dia a dia.

Em "Lima:Cozinha Peruana Contemporânea" Virgilio Martinez, o mais famoso jovem chef do Peru, revisita heranças culinárias e apresenta sua gastronomia vibrante, colorida e contemporânea, consagrada em seus premiados restaurantes. Neste livro, ele ensina mais de 100 receitas que vão surpreender o paladar e trazer o espírito e as cores da cozinha peruana para a mesa brasileira. São bebidas, petiscos, leites de tigre, pastas de ají, ceviches, tiraditos, causas, pratos quentes e sobremesas. Há drinques como Coquetel de maracujá e capim-limão, sem álcool, ou o Ponche de pisco, alcoólico, acompanhados por petiscos como Milho cancha e limão ou Batata-doce com mel de camomila. O chef ensina o autêntico leite de tigre e algumas saborosas variações, que serão a base para o preparo de ceviches ou tiraditos, como o de salmão e erva-doce. Não faltam entre os pratos quentes os tradicionais Arroz chaufa com legumes e o Sudado de carne. Destaca-se ainda o Parfait de castanha-do-pará, para encerrar uma refeição. Editora Publifolha, lançado em 2017.


Já em “Tempero Alternativo - Para uma alimentação natural e saudável” de André Fronza, publicado pela Editora Alaúde, também 2017, a gente encontra mais de 50 receitas inéditas. O primeiro livro do blog Tempero Alternativo traz preparações veganas com opções sem glúten e sem açúcar. São pratos fáceis, práticos e acessíveis para o dia a dia. Muitos deles acompanhados por conteúdo digital extra, como QR Codes que indicam variações na receita ou GIFs de dar água na boca. Neste livro a brasilidade imperou na escolha de alguns pratos – tem feijoada, bobó, cuscuz e manjar – e dos ingredientes também: maracujá, jabuticaba, açaí, mandioca e palmito. As receitas são divididas em básicos, bebidas, café da manhã, entradas e acompanhamentos, prato principal, sobremesas e receitas extras. Todas acompanhadas de ícones que ajudam a classificar e identificar se é sem glúten, sem açúcar, sem soja ou derivados ou se requer preparo antecipado.


Em “Chega de Açúcar” Sarah Wilson que sempre achou que sua alimentação era relativamente saudável - até saber a quantidade de açúcar escondido na comida e quanto isso afetava a sua vida, nos mostra que quando ela se deu conta de que o consumo de açúcar poderia estar associado a oscilações de humor, ganho de peso, problemas de sono e doenças relacionadas à tireoide, decidiu acabar com isso de vez. O que começou como uma experiência logo se tornou uma missão: alertar sobre os perigos da substância e oferecer alternativas saudáveis e saborosas. Neste livro, a autora conta o que fez para conseguir se livrar da dependência, compartilhando ferramentas, truques e dicas inspiradoras. Em "Chega de açúcar", o leitor irá encontrar: - Um programa de oito semanas para desintoxicar, - Ideias para substituir o açúcar sem comprometer a saúde, - Técnicas para superar o desejo por doce, - 108 receitas de pratos saudáveis, petiscos saborosos e doces guloseimas elaboradas pela autora e por seus colaboradores. Editora Sextante, 2017.

Gostou das dicas? Então, deixe seu comentário e faça sua indicação de outros títulos interessantes e saborosos!

Até a próxima!

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terça-feira, 16 de maio de 2017

Cruz Machado realiza a 2ª Feira Gastronômica neste final de semana.


A cidade de Cruz Machado no interior do Paraná realiza neste fim de semana sua 2ª Feira Gastronômica e conta com várias atividades e atrações nos três dias de feira, entre elas oficina culinárias, show musical, exibição de documentário e as esperadas barracas de comida local e produtos regionais.


A feira que acontece de 18 a 20 de maio, terá uma oficina culinária na sexta 19 às 14h realizada por esta blogueira, que repetindo o sucesso da primeira edição leva mais uma vez o tema "Cozinha Revisita" que desta vez terá o preparo seguido de degustação de três receitas com base na Tilápia, peixe de água doce produzido na região e muito consumido em todo Paraná. Em breve as fotos e as receitas serão postadas aqui no blogue.



Seguindo a programação da feira, no sábado 20 às 14h15min será a vez da exibição do documentário "Comer O Quê?" de Leonardo Brant (Brasil, 2015), filme que apresenta ao público um banquete de sabores, imagens, reflexões e emoções, de maneira leve e despretensiosa. Afeto, saúde, cultura, indústria e educação formam equações possíveis entre desfrute e cuidado, consciência e espontaneidade, equilíbrio e bem estar. Ao término do filme de 59' acontecerá um debate com o público presente onde serão abordados aspectos que permeiam o futuro da nossa alimentação, entre eles: cultura, origem, identidade e renda com mediação da produtora cultura e blogueira Meg Mamede.

É aguardado para este evento a participação de cerca de 500 mulheres do “Programa Gênero e Geração” desenvolvido na região desde 2014 e que tem como objetivo fortalecer as relações familiares, valorizando o potencial, o trabalho e a identidade da mulher, promovendo sua participação na unidade familiar, na cooperativa e nos grupos produtivos e também resgatar os conhecimentos e estratégias tradicionais a partir das experiências das gerações. O programa está sendo desenvolvido em Cruz Machado em várias comunidades do município sob a coordenação de Rosa Szaykowski



Serviço:


Quando: de 18 à 20 de maio de 2017

Onde: Barracão das Artes Av. Engenheiro Ferreira Correia, s/n, Centro - Cruz Machado, PR.

Entrada Gratuita, aberta a todos os públicos.

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domingo, 23 de abril de 2017

Torta de camarão à moda thai.

A massa não é segredo, serve para fazer tortas doces e salgadas e com as sobras é possível fazer petiscos deliciosos. Nada se perde, aqui tudo se aproveita. Já fiz umas quantas apple pies e receitas salgadas com frango, palmito e agora com camarão com essa massa. Se você gosta de coisas simples e rápidas, essa é uma boa opção.

Parece aquela massa podre, mas não fica carregada de manteiga... dá para aquecer no micro-ondas depois sem que fique carregada de gordura. Isso pra mim é algo importante, meu estômago ou fígado são sensíveis à gordura.

Bem a receita dessa massa não é segredo já postei a de apple pie, outra de frango e dá para utilizar a criatividade com os recheios tanto para a doce quanto para a salgada e de quebra aproveitar as sobras.

Vamos à receita...


Ingredientes:

Massa
3 xícaras de farinha de trigo peneirada
150 g de manteiga sem sal gelada
de 5 a 6 colheres de água gelada
1 ovo
1 gema (para pincelar a massa antes de assar)
1 colher (de café) de açúcar
Sal (q.b)
1 forma redonda Marinex filetada (1,6 l)
1 rolo de abrir massa
Filme plástico

Recheio
500 g de camarão limpo (camarão pequenos ou médios se preferir)
200 ml de leite de coco (uma caixinha)
½ cebola picada
3 dentes grandes de alho picado
1 pedaço de gengibre pequeno sem casca e ralado
½ maço de coentro picado (ou salsinha)
De 3 a 4 colheres (de sopa) rasas de farinha de rosca (ou farinha de pão)
Pimenta do reino moída na hora (q.b)
Sal (q.b)
 
(Etapas do preparo - Fotos: Meg Mamede e Rogério Oliveira)

Modo de preparo:

Junte a farinha de trigo peneirada com a manteiga gelada cortada em cubos em um recipiente, com as pontas dos dedos vá misturando até virar uma farofa onde você ainda sinta pedacinhos de manteiga, em seguida acrescente o ovo, o açúcar e o sal e misture tudo, vá acrescentado aos poucos a água gelada até a massa ficar mais uniforme e dura, sove e boleie a massa para em seguida embalá-la em filme plástico e levá-la à geladeira para descansar por cerca de 40 minutos. A massa fica mesmo meio quebradiça, mas ao deixá-la na geladeira ela ficará mais dura.

Enquanto a massa descansa preparamos o recheio, para isso leve uma frigideira ao fogo com azeite, aqueça e acrescente a cebola deixe refogar e coloque o alho em seguida, depois que estiverem dourados junte o camarão até que fiquem rosados, acrescente sal e a pimenta do reino moída e prove, depois o gengibre ralado e misture, abaixe o fogo e acrescente o coentro e a farinha de rosca, misture tudo e desligue o fogo deixando o recheio esfriando enquanto abre a massa.

Passado 40 minutos retire a massa da geladeira e sobre uma bancada ou mesa polvilhe um pouco de farinha de trigo para abrir a massa, calcule uma parte menor da massa e separe para fazer a parte de cima da torta. Com o rolo sempre do meio para cima e do meio para baixo vá rolando e abrindo a massa de maneira uniforme, até obter um tamanho que cubra a base e a lateral da forma, enrole a massa no rolo para facilitar a colocação da massa na forma, em seguida ajeite-a com a ponta dos dedos... caso faça algum buraco e só acertar com os dedos, cobrindo toda a extensão para a colocação do recheio. Abra a sobra da massa da mesma maneira e coloque-a sobre um filme plástico para poder girar sobre a forma e cobrir a parte superior da torta, feito isso com os dedos vá juntando as duas pontas (parte inferior da massa com a parte superior) retire os excessos e com a ponta do dedo indicador pressione a lateral da massa para formar um desenho linear em toda a borda da torta. Em seguida misture a gema de ovo com um pouco de água para pincelar a superfície da torta, faça um pequeno corte em X sobre a massa e leve-a para assar a temperatura de 200 °C por cerca de 40 minutos. (Importante: a forma Marinex de vidro apesar de ser indicada para uso no forno, o mesmo não deve estar quente, isto é: pré-aquecido, pois o utensílio pode trincar quando exposto as diferentes temperaturas, o que não irá prejudicar em nada o preparo da sua torta, essa recomendação vale para quando você retirar a forma quente do forno, não a coloque em uma superfície fria ou molhada, opte por colocá-la sobre uma tábua de madeira para esfriar).


Dicas: 1- Sirva com uma salada de folhas ou outro de sua preferência. 2- Harmoniza bem com um vinho Cabernet Sauvignon Blanc ou Vinho Verde, resfriados. 3- A sobra da massa pode ser guardada por até uma semana na geladeira ou congelada e aproveitada depois para fazer petiscos, é só abri-la e usar cortadores, polvilhar com queijo e temperos de seu gosto (lemon pepper, alecrim, orégano, etc), veja foto (na foto petiscos doces e salgados de sobras de massas).



Tempo de preparo: 2 horas (inclui o tempo de descanso da massa na geladeira)

Rendimento: até 12 pedaços

Dificuldade: Fácil

*q.b. = quante baste


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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Torta de maçã para retribuir a hospitalidade é pouco, mas tem muito amor.


Se tem um lugar que vale a pena conhecer é a acolhedora Bituruna no interior do Paraná, com destaque para as atrações da Rota do Vinho, com suas vinícolas e o Restaurante Beponi, lugar encantador que não me canso de visitar, especialmente por conta da alegria e hospitalidade da família.

Como retribuir a receptividade e os bons momentos em companhia do Sr. Beponi, da Dona Lídia, das filhas Valéria e Carla e dos genros Edinei e Claudio? Verdade é que isso não tem preço!

Hospitalidade e bem receber é uma arte que poucos conhecem. O que determina isso é um conjunto de coisas, entre elas alegria, respeito, simplicidade e muita história para contar, isso a família do Sr. Beponi tem de sobra e de quebra uma culinária deliciosa de tradição italiana, preparada com produtos locais e muita qualidade.

Em minha última visita estive com a família por quase uma semana e passei muito bem. Uma vez lá como retribuir? Toda vez que vou pra lá gosto de ir para cozinha para preparar algo, claro que não chego aos pés da culinária da Dona Lídia ou da Carla, mas não abro mão de fazer algo com muito carinho, afinal a comida não é apenas para matar a fome, ela nos dá o ânimo que nosso corpo necessita e como sempre digo, alegra nossa alma.

Desta vez fiz uma torta de maçã, uma apple pie, típica receita norte americana, que todos gostaram e a pedido das meninas estou publicando novamente. Como disse antes este tipo de torta é uma tradição norte americana muito apreciada nos E.U.A. onde existem várias competições para ver quem faz a melhor. Receita que perfuma toda a casa, liberando aromas que nos convidam para um café, um chá e uma boa conversa.

Então, vamos a receita!

Ingredientes:

Massa
3 xícaras de farinha de trigo peneirada
150 g de manteiga sem sal
de 5 a 6 colheres de água gelada
1 ovo
1 gema (para pincelar a massa antes de assar)
1 pitada de sal
3 colheres (sopa) de açúcar
1 forma redonda Marinex (1,6 l)
1 rolo de abrir massa
Filme plástico

Recheio
4 maçãs verdes grandes ou 6 maças Fuji (desta vez usei as Fuji)
1 limão Taiti
30 g de manteiga sem sal
1/2 xícara de açúcar
1/2 xícara de uvas passas escuras sem sementes
1 colher (chá) de canela em pó (ou ralada na hora)

Farinha de rosca (*q.b)

(Etapas do preparo da Apple Pie - Fotos: Meg Mamede)

Modo de Preparo:

Junte a farinha de trigo peneirada com a manteiga gelada cortada em cubos em um recipiente, com as pontas dos dedos vá misturando até virar uma farofa onde você ainda sinta pedacinhos de manteiga, em seguida acrescente o ovo, uma pitada de sal e o açúcar e misture tudo, vá acrescentado aos poucos a água gelada até a massa ficar mais uniforme e dura, sove e boleie a massa para em seguida embalá-la em filme plástico e levá-la à geladeira para descansar por cerca de 40 minutos. A massa fica mesmo meio quebradiça, mas ao deixá-la na geladeira ela ficará mais dura.

Enquanto a massa descansa, preparamos o recheio, em algumas receitas o recheio é misturado e não é levado ao fogo, eu escolhi refogá-lo um pouco. Então, descasque as maçãs e tire as sementes, corte-as em fatias bem finas, acrescente o suco do limão para que elas não oxidem e escureçam, feito isso leve uma frigideira alta ao fogo derreta a manteiga e em seguida acrescente o açúcar para fazer uma calda, não deixe escurecer para não ficar amargo em seguida coloque as maçãs para dar uma murchada, 
refogue-as um pouco acrescentando as uvas passas e a canela em pó, desligue e verifique se há muito líquido em seguida acrescente umas colheradas de farinha de rosca, misture tudo e deixe esfriar bem.

Passado os 40 minutos retire a massa da geladeira e sobre uma bancada ou mesa polvilhe um pouco de farinha de trigo para abrir a massa, calcule uma parte menor da massa e separe para fazer a parte de cima da torta. Com o rolo sempre do meio para cima e do meio para baixo vá rolando e abrindo a massa de maneira uniforme, até obter um tamanho que cubra a base e a lateral da forma, enrole a massa no rolo para facilitar a colocação da massa na forma, em seguida ajeite-a com a ponta dos dedos, caso faça algum buraco e só acertar com os dedos, cobrindo toda a extensão para a colocação do recheio. Faça furos com as pontas do garfo por toda base da torta e despeje o recheio frio. 

Em seguida abra a sobra da massa da mesma maneira e coloque-a sobre um filme plástico para poder girar sobre a forma e cobrir a parte superior da torta, feito isso, com os dedos vá juntando as duas pontas (parte inferior da massa com a parte superior) retire os excessos e com as pontas dos dedos pressione a lateral da massa para formar um desenho linear em toda a borda da torta. Em seguida misture a gema de ovo com um pouco de água para pincelar a superfície da torta, faça um pequeno corte em X no centro da massa e leve-a para assar à temperatura de 200 graus por cerca de 40 minutos ou até que a torta fique dourada na lateral e em cima (importante: a forma Marinex de vidro apesar de ser indicada para uso no forno, não deve ser levada ao forno pré-aquecido, pois o utensílio pode trincar quando exposto a diferentes temperaturas, o que não irá prejudicar em nada o preparo da sua torta, essa recomendação vale para quando você retirar a forma quente do forno, não a coloque em uma superfície fria ou molhada, opte por colocá-la sobre uma tábua de madeira ou superfície metálica para esfriar).

Dica: Esta torta é ótima para um café ou chá da tarde e fica mais deliciosa ainda se servida com chantilly ou sorvete de creme.

Tempo de preparo: 2 horas

Rendimento: até 12 pedaços

Dificuldade: Fácil

*q.b. = Quante baste

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Ó pá! Bacalhau com nata.

(Bacalhau com nata - Foto: Meg Mamede)

A origem da palavra bacalhau é pouco clara. Talvez assente nas formas dialetais do basco bakailao (bakailo, makailao, makailo). Mas é possível que tanto o basco bakailao como o português 'bacalhau', o espanhol bacalao e o italiano baccalà sejam provenientes do baixo alemão e do escandinavo bakkeljau ('bastão peixe'). Já o gascão cabilhau e o francês antigo cabellau (depois cabillau) teriam evoluído a partir de cabellauwus - forma alatinada do holandês kabeljauw, esta derivada do holandês antigo bakeljauw -, até chegar ao francês moderno cabillaud (1762), termo que se aplica ao bacalhau fresco, em oposição ao seco, denominado morue. (Fonte: Wikipédia)

Mas não chegamos aqui para conhecer a etimologia da palavra e sim uma receita feita com uma das iguarias mais apreciadas na Páscoa da Península Ibérica, em especial em Portugal onde muitas são as receitas que levam bacalhau (que não se trata de um peixe especifico, mas da forma como é feito o processo de salga do pescado desde o século XIV, época das grandes navegações).

Com a chegada da Páscoa o bacalhau fica mais caro, mas se a receita pede que o bacalhau seja desfiado, sugiro as lascas de bacalhau que têm menos espinhos e costumam ter melhor preço. A compra de bacalhau inteiro ou em postas fica para os pratos que pedem pedaços maiores como o Bacalao Al Pil Pil (Bakailaoa pil-pilean) receita original do País basco, norte da Espanha e outras receitas portuguesas.

A receita de hoje é uma adaptação minha para o bacalhau com natas, digo isso porque acrescentei ingredientes e não segui a receita tradicional portuguesa, fiz a minha moda e ficou delicioso.

Vamos a receita, ora pois!


Ingredientes:

500 g de lascas de bacalhau dessalgada e desfiada
1 pimentão verde cortado em tiras finas
1 pimentão vermelho cortado em tiras finas
3 ovos cozidos cortados em rodelas
100 g de azeitona preta sem caroço (dessalgadas em água e lavadas em água corrente)
5 batatas médias cozidas (no vapor, opcional) e cortadas em fatias
Azeite de Oliva extravirgem (q.b)  
Coentro (ou salsinha para quem não gosta de coentro)
3 dentes de alho picado
Sal a gosto
Pimenta do reino moída na hora a gosto (opcional)
300 g de Nata (para incorporar ao molho Bechamel)
Queijo parmesão ralado
Um marinex grande ou assadeira alta

Molho Bechamel
70 g de manteiga sem sal
70 g de farinha de trigo
1 cebola Piqué (metade de uma cebola com uma folha de louro e três cravos)
750 ml de leite (eu usei semidesnatado)
100 ml de água do cozimento do bacalhau
Noz moscada (eu não usei)

(Preparo do bacalhau com nata - Fotos: Meg Mamede)

Modo de preparar:

Deixe as lascas de bacalhau em água para dessalgar de um dia para o outro trocando a água pelo menos uma vez. Escorra água e coloque para cozinhar até a água levantar fervura, desligue e escorra as lascas reservando um pouco da água para o molho, desfie as lascas grosseiramente. Descasque as batatas, corte-as em fatias não muito finas e coloque-as para cozinhar com um pouco de sal, não deixe que elas amoleçam demais (eu cozinhei no vapor), feito isso, escorra as batatas e reserve. Numa frigideira coloque azeite e quando estiver aquecido acrescente o alho para refogar, em seguida os pimentões e o bacalhau desfiado, depois acrescente a metade do coentro picado, uma pitada de sal e de pimenta do reino, misture tudo e deixe refogar um pouco até que os pimentões murchem, desligue e reserve. Coloque o leite para ferver juntamente com a cebola Piqué em uma leiteira para facilitar sua adição ao Bechamel, enquanto isso em outra panela prepare um roux claro, isto é: derreta a manteiga até ela clarear, acrescente a farinha de trigo e mexa sem parar com um fouet ou espátula de silicone para que a mistura fique bem homogênea, feito isso, retire a cebola do leite vá acrescentando-o aos poucos, sempre mexendo para que o molho não empelote, uma vez incorporado o leite coloque parte da água do cozimento do bacalhau e mexa para incorporar, adicione um pouco de sal, pimenta do reino (opcional) e uma pitada de noz moscada. Misture e desligue o fogo, em seguida acrescente a nata aos pouco e vá mexendo até que ela esteja totalmente diluída e incorporada. Prove e corrija o sal se necessário.

Montagem: Distribua azeite de oliva no fundo de um refratário ou assadeira, faça uma cama com as batatas, salpique um pouco de coentro picado sobre elas e cubra-as com parte do molho, em seguida adicione o refogado de bacalhau com pimentões, distribua as azeitonas e os ovos cozidos sobre essa camada, regue com um pouco de azeite e adicione o restante do coentro, feito isso utilize o resto do molho para cobrir toda a superfície de forma homogênea, para finalizar salpique um pouco de queijo parmesão. Leve ao fogo pré-aquecido a 180 °C por uns 20 minutos ou até que ele esteja gratinado.

Dica: Sirva com arroz branco. Quanto ao vinho, segundo os entendidos em  harmonização as receitas com bacalhau variam de acordo com outros ingredientes presentes no prato bem como a procedência do bacalhau, a maioria concorda que o Vinho Verde é uma boa opção, mas, não dispensam os tintos encorpados do Douro. Como gosto é uma coisa pessoal, escolha a bebida de sua referência e delicie-se em qualquer ocasião.


Tempo de preparo: 2 horas

Rendimento: serve de 6 a 8 pessoas

Dificuldade: Média 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Calor.. não se trata do clima mas do livro de Bill Bulford.

Bill Bulford é um daqueles escritores que para escrever algo tem que conhecer a fundo sobre o que está falando e entra de cabeça no personagem, ops... neste caso, na cozinha. Foi desta maneira que o jornalista nascido em 1954, em Baton Rouge, Luisiana, EUA, escreveu e lançou em 2006 “Heat”, lançado no Brasil em 2007 pela Companhia das Letras. “Calor” é uma daquelas leituras obrigatórias para o interessado em gastronomia, mas não do ponto de vista técnico ou como modismo, o livro é para aqueles que gostam de relatos de viagem, crônicas em primeira pessoa, detalhes curiosos e pitorescos do universo culinário. Se você leu “Cozinha Confidencial” de Anthony Bourdain ou “Aprendiz de Cozinheiro” de Bob Sptiz e gostou, com certeza deve ler o livro de Bulford.


(Bill Bulford e Mario Batali - Foto: Google Imagens)
Bill Buford é adepto do que podemos chamar de "jornalismo participante". Para escrever o elogiadíssimo “Entre os vândalos”, um retrato detalhado da violência dos hooligans ingleses, acompanhou esses torcedores fanáticos durante quatro anos. Para traçar o perfil do extravagante Mario Batali, um dos chefs mais famosos dos Estados Unidos, decidiu literalmente pôr a mão na massa e participar do universo da alta cozinha como simples auxiliar de cozinheiro. O resultado é "Calor", em que narra basicamente duas histórias: a do gargantuesco Batali, capaz de entornar meia caixa de vinho durante um almoço, e as aventuras e desventuras do próprio Buford, um intelectual cinqüentão, como "escravo de cozinha", aprendendo, entre talhos nos dedos e queimaduras, a cortar cenouras em cubos milimetricamente iguais, grelhar costeletas de carneiro e peixes ao mesmo tempo e fazer polenta para duzentas pessoas. De passagem, revela alguns segredos nem sempre confessáveis de um restaurante três estrelas (por exemplo, como fazer uma sopa de restos e cobrar 29 dólares por ela, ou como usar vinho barato em prato supostamente sofisticado).


(Bulford em seu aprendizado como açougueiro - Foto: Google Imagens)
Mas além de passar quase um ano na cozinha do Babbo, considerado um dos vinte melhores restaurantes americanos, subindo penosamente na sua hierarquia, Buford resolve refazer o trajeto da formação de Batali. Em pequenos burgos da Itália, ele aprende os segredos do macarrão artesanal e, por fim, vai trabalhar num açougue muito peculiar, em que o dono recita Dante e escuta Mozart enquanto serve gente que veio do mundo inteiro para conhecê-lo. No açougue, Buford se torna aprendiz do Maestro, um verdadeiro mestre zen da carniçaria, na arte de desossar porcos e vacas (Buford fica tão entusiasmado com suas novas habilidades que ao voltar para Nova York compra um porco inteiro e o leva na garupa de sua motoneta para casa).

Entremeando casos engraçados, personagens fascinantes, curiosidades históricas e reflexões sobre o mundo da gastronomia, este livro satisfaz tanto aos leitores vorazes como àqueles que preferem saboreá-lo aos poucos. (Fonte: Companhia das Letras).







Livro: "Calor"

Autor: Bill Bulford

Editora: Companhia das Letras











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Sobre "Filmes que são uma delícia"

Todos os textos deste blogue que mencionam o link "Filmes que são uma delícia" estão sendo redirecionados para "Filmes de A a Z" em outro blogue de minha autoria também, isso porque o assunto ficou extenso para tantos textos e comentários.

Importante

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